O prefeito de Ribeirão do Pinhal (57 quilômetros a oeste de Jacarezinho), Benedito Antonio Silveira Pinto (PDT) está sendo acusado de ter realizado uma licitação fraudulenta para o transporte de calcário destinado aos pequenos agricultores. De acordo com a denúncia que está sendo investigada pelo Ministério Público (MP), o prefeito utilizou caminhões de sua frota particular para transportar o calcário. Além disso, Pinto também é acusado de usar notas fiscais ‘‘frias’’ para prestar contas ao Tribunal de Contas (TC), ter adquirido um terreno superfaturado para a construção de casas populares e de ter contratado funcionários sem concurso público.
As denúncias foram feitas à Promotoria de Justiça e ao TC pelo agropecuarista Edeval Gonçalves Azevedo, que já foi prefeito de Ribeirão do Pinhal por duas vezes. A promotora Kele Cristina Diogo disse que a investigação é sigilosa e que, por isso, o MP ainda não pode divulgar nenhum parecer.
Azevedo afirma que o prefeito usou seus caminhões particulares para prestar serviços à prefeitura. Segundo ele, foram transportadas cerca de 3 mil toneladas de calcário de Castro até Ribeirão do Pinhal. ‘‘A empresa Buturi Transportes Rodoviários Ltda, com sede em Ponta Grossa, foi usada como ‘‘laranja’’. As notas fiscais de transporte são dessa empresa, mas foram os caminhões do prefeito que fizeram o transporte’’, afirmou.
Além disso, Azevedo alega que, na época – há dois anos – o frete da tonelada de calcário custava R$ 14,00 e a prefeitura pagou ao prefeito R$ 18,19 pela tonelada transportada. Segundo pesquisa de Azevedo, hoje a tonelada estaria em torno de R$ 15,00.
A Folha entrou em contato com a Transportadora Buturi e foi informada de que somente com um pesquisa detalhada e a longo prazo nos cadastros de fretes seria possível saber se a empresa prestou ou não serviços à prefeitura.
O agropecuarista acusa também o prefeito de ter feito uma escritura fraudulenta de um terreno no bairro Triolândia onde devem ser construídas casas populares. ‘‘Primeiro foi registrada uma escritura com valor da avaliação do imóvel que era de R$ 25 mil. Depois, foi feita uma segunda escritura em que o valor sobe para R$ 32 mil. A prefeitura pagou R$ 25 mil e apresenta ao TC documentos de que pagou R$ 32 mil. Para onde vai essa diferença?’’
No dossiê entregue ao MP há ainda outras denúncias contra a administração atual. A Folha procurou o prefeito, que afirmou: ‘‘Não tenho nada a esclarecer porque não devo nada’’.

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