Prefeito de Marquinho desiste da reeleição
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de setembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
O prefeito de Marquinho (região de Guarapuava), João Eleutério de Lima (PSDB), afastado do cargo por causa de denúncias feitas contra ele pelo Ministério Público de Laranjeiras do Sul, desistiu ontem de participar do pleito eleitoral deste ano. Ele está preso há três meses e meio. Eleutério de Lima é acusado de comandar o crime organizado na região central do Estado e ter envolvimento com o narcotráfico e o desmanche de carros roubados. O nome do prefeito foi citado durante a permanência da CPI Nacional do Narcotráfico em Ponta Grossa. As investigações sobre o caso estão sendo feitas pelo Ministério Público.
Eleutério ficou preso em Guarapuava e foi transferido para o Batalhão de Polícia de Guarda de Presídios (BPGD), em Curitiba, onde permanence até hoje. Ele aguarda uma decisão judicial para responder as denúncias em liberdade. Em recente entrevista para a Rádio CBN, o prefeito de Marquinho admitiu que poderia deixar o cargo para não prejudicar a população do município. Ele disse que não tinha a garantia que poderia assumir realmente o cargo, caso fosse eleito.
Outro motivo que teria cooperado para que o prefeito desistisse teria sido o respeito ao partido, que precisaria ficar livre para escolher outro candidato antes do término do processo eleitoral. Acho que esta foi uma atitude de respeito ao partido. Não sabemos o que ocorreria com a candidatura dele em Marquinho, mas o fato dele resolver desistir pensando no PSDB demonstra que ele realmente respeita a política paranaense, declarou o senador Alvaro Dias, presidente do diretório regional do PSDB.
A CPI Estadual do Narcotráfico também recebeu denúncias contra o prefeito João Eleutério de Lima. De acordo com o deputado estadual Ricardo Chab (PTB), relator da comissão, as denúncias foram apresentadas com fitas cassetes de audiências realizadas na região de Marquinho. Pensamos em fazer uma audiência pública lá, mas percebemos que as investigações já estavam sendo feitas pelo Ministério Público. Não seria produtivo fazermos o mesmo trabalho dos promotores, argumentou.


