Maringá - O prefeito em exercício de Maringá, João Ivo Caleffi (PT) disse ontem que o município mantém a esperança de receber os cerca de R$ 100 milhões levados dos cofres públicos pelo esquema de corrupção dos últimos anos. Caleffi afirmou que a sentença judicial que condenou o ex-prefeito Jairo Gianoto e o ex-secretário de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi a ressarcir os cofres em mais de R$ 12 milhões é o primeiro passo das devoluções que podem ocorrer nos próximos processos. O Ministério Público é autor de ações que pedem o ressarcimento de R$ 84 milhões desviados nas duas últimas administrações municipais. ‘‘Não perdemos a esperança de que cada centavo saqueado volte para a prefeitura’’, afirmou o prefeito.
Segundo Caleffi, a atual administração assumiu a prefeitura com uma dívida superior a R$ 230 milhões, sendo que metade estava relacionado a irregularidades. ‘‘A história da cidade vai sempre cobrar o desfalque e até por uma questão de honra da própria população os valores devem ser devolvidos’’, disse o prefeito. Caleffi afirmou que apesar do MP ter garantido apenas R$ 20 milhões em bens indisponíveis dos responsáveis pela corrupção o restante vai voltar aos cofres. ‘‘Preocupa o fato de boa parte do dinheiro não ter sido localizado, mas não conseguimos perder as esperanças e muito menos em acreditar na Justiça’’, ressaltou. ‘‘Áreas como a saúde e a educação precisam deste dinheiro’’, acrescentou o prefeito em exercício.
Para o coordenador da Cruzada da Cidadania, movimento que luta pela moralidade na administração pública, Aldi Cesar Mertz, a sentença veio em ‘‘boa hora’’. ‘‘As pessoas já estavam céticas com relação a Justiça’’, disse Mertz. Segundo ele, estava difícil lidar com a comunidade e fazer as pessoas acreditarem que os responsáveis pela corrupção seriam de fatos punidos. ‘‘Recebemos com muita alegria esta sentença’’, disse Mertz.
Segundo o coordenador, a entidade vai manter o trabalho de apoio principalmente ao Ministério Público. No ano passado, uma série de outdoors lembrou o início das investigações. ‘‘Exigimos agilidade nos julgamentos, mas também priorizamos uma atenção ao MP sempre está sujeito a pressões por causa das pessoas influentes que fizeram e fazem parte dos processos’’, afirmou.

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