O prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), deve ser transferido hoje para Cruzeiro do Oeste. Ele está preso desde março no Batalhão da Guarda da Polícia Militar, em Curitiba. Gonçalves é acusado de ser o mandante de dois homicídios: o assassinato de seu vice-prefeito, Aires Domingues (PPS), e do presidente do diretório do PPS em Mariluz, Carlos Alberto de Carvalho.
A transferência foi autorizada anteontem pelo juiz convocado da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, Jonny de Jesus Campos Marques, atendendo à solicitação dos advogados Cláudio Dalledone Júnior e Guilherme Lewin, que cuidam da defesa de Gonçalves. Na sentença do Tribunal de Justiça, o juiz determina que o prefeito, que tem direito a foro especial, fique detido no quartel da Polícia Militar de Cruzeiro do Oeste.
Na petição ao TJ os advogados do prefeito também solicitam que Gonçalves possa exercer seu mandato e cuidar da administração municipal mesmo estando detido em Cruzeiro do Oeste, distante 40 quilômetros de Mariluz. Em seu parecer, o juiz Campos Marques determinou que a autorização para ‘‘o desenvolvimento de sua atividade de prefeito municipal do local onde se achar recolhido’’ deve ser analisada pelo Ministério Público.
O procurador da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público Munir Gazal disse ontem que ainda não foi comunicado oficialmente sobre a decisão do Tribunal de Justiça. Para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), não há impedimento legal para que o prefeito exerça suas atividades de dentro da cadeia. O TRE diz que o padre Adelino Gonçalves ainda é formalmente o prefeito de Mariluz porque não foi julgado e condenado.
Os advogados do prefeito também aguardam a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o pedido de habeas-corpus para Gonçalves. Segundo Guilherme Lewin, o STJ está à espera do parecer do juiz Campos Marques, e estima que a decisão seja anunciada dentro de 20 dias.
Gonçalves nega a autoria do crime, ocorrido no dia 28 de fevereiro. O duplo homicídio foi cometido por um pistoleiro de aluguel, José Lucas Gomes. Ele inocentou o padre da acusação de ser o mandante.
Manifestação
Cerca de 100 pessoas fizeram ontem de manhã em Mariluz, uma manifestação de apoio ao padre Adelino Gonçalves. O manifesto foi organizado por aliados políticos do prefeito, alguns professores e integrantes do Movimento Sem Terra (MST) acampados na Fazenda São Luiz, no distrito de São Luiz. Os manifestantes se concentraram em frente à prefeitura com faixas e cartazes pedindo o retorno do prefeito. A Polícia Militar reforçou o policiamento, mas não houve incidentes.
As autoridades policiais da região temem manifestações violentas por parte de pessoas ligadas às vítimas e possíveis confrontos entre os grupos favoráveis e contrários ao retorno do padre. No dia 9 de março, quando o prefeito tentou reassumir o cargo, manifestantes depredaram o prédio da prefeitura e o carro dele, um Omega 97. Gonçalves teve de deixar a prefeitura sob escolta policial. (Colaborou Vânia Moreira, de Umuarama)

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