Os advogados do prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), o padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), ingressaram com um agravo regimental no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Eles pedem a revogação da prisão preventiva do prefeito, decretada na última sexta-feira pelo juiz Joni Campos Marques, do Tribunal de Alçada, convocado para o TJ em substituição ao desembargador Osíris Fontoura, que está de férias.
Gonçalves é acusado de ser o mandante do assassinato de seu vice-prefeito, Aires Domingues (PPS), e do presidente do diretório local do PPS, Carlos Alberto de Carvalho – ambos aliados. Ele nega ter ordenado os crimes, ocorridos há 15 dias. O autor dos disparos, o ex-policial José Lucas Gomes, que também está preso, inicialmente afirmou que recebera R$ 20 mil do prefeito para matar os dois. Depois, mudou sua versão, isentou o prefeito e alegou que fôra torturado para incriminar Gonçalves.
Claudio Dalledone Júnior, um dos advogados do prefeito, disse ontem que a decretação da prisão preventida seria ‘‘ilegal’’. Segundo ele, não há provas de que o prefeito seja o mandante do crime e o juiz recusou uma petição apresentada por Gonçalves um dia antes da decretação da prisão, se colocando à disposição do tribunal para ‘‘prestar esclarecimentos’’.
‘‘O clamor público embasou a decisão. Não se pode entregar uma decisão jurídica à multidão’’, afirmou o advogado. Na última sexta-feira, quando Gonçalves tentou retomar seu trabalho na prefeitura, parte da população depredou o prédio e destruiu seu carro. Para não ser agredido, o prefeito teve que fugir da prefeitura numa viatura da Polícia Civil. Segundo Delledone Júnior, apenas um desembargador poderia tomar a decisão.
O recurso será votado pela 1ª Câmara Criminal do TJ, composta por quatro membros – inclusive Campos Marques. Se a resposta for negativa, a defesa vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O advogado disse que o prefeito pode se apresentar a partir de hoje.

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