Prefeito de Mariluz é preso
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terça-feira, 20 de março de 2001
Valmir DenardinDe Curitiba 
O prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), o padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), 45 anos, acusado de ser o mandante de dois assassinatos, se entregou à polícia ontem, em Curitiba. Ele estava foragido havia 12 dias, desde que o Tribunal de Justiça (TJ) do Estado decretou sua prisão preventiva.
Gonçalves é acusado pela Polícia Civil de mandar matar seu vice-prefeito, Aires Domingues (PPS), e o presidente do diretório do PPS em Mariluz, Carlos Alberto de Carvalho. Ambos eram seus aliados políticos. Os dois foram assassinados a tiros no início do mês, no escritório de Carvalho, em Mariluz.
Ao ser preso, o autor confesso dos crimes, o ex-sargento da Polícia Militar José Lucas Gomes, disse que recebera R$ 20 mil e um Monza do prefeito. Depois, mudou a versão, isentou o prefeito e disse que tinha sido torturado para incriminá-lo. A polícia nega que tenha havido tortura.
Gonçalves alega inocência. Um dos fatores que o levaram a se entregar foi a prisão, anteontem, do secretário da Prefeitura de Mariluz, Alexandro do Nascimento, de 21 anos. Acusado de ter comprado o Monza usado pelo criminoso, ele também se entregou em Curitiba.
Nascimento também isentou o prefeito. Em depoimento, disse que as duas mortes foram acidente. Segundo ele, o secretário de Ação Social, Elcio Farias, teria contratado o ex-PM para dar um susto no presidente local do PPS e recuperar documentos que estariam com ele. Carvalho estaria preparando um dossiê com denúncias contra Farias, ex-sindicalista. O secretário está desaparecido desde os crimes.
Acompanhado do advogado criminalista Claudio Dalledone Júnior, o prefeito se entregou às 17 horas de ontem, na Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Depois, ele foi levado ao Batalhão de Polícia de Guarda, junto ao presídio do Ahú (zona norte). Por exercer mandato eletivo, ele tem direito a prisão especial.
A Folha apurou que Gonçalves divide uma pequena cela com o ex-prefeito de Marquinho (105 quilômetros a oeste de Guarapuava), João de Lima Eleutério (PSDB). Ele é acusado de narcotráfico, desmanche de veículos roubados, contrabando de armas e assaltos. A cela tem apenas um beliche. Não há TV, rádio ou telefone. Os presos podem tomar sol pela manhã e receber visitas aos domingos.


