Prefeito de Macapá é preso acusado de ligação com fraudes
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quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Folhapress 
Macapá (AP) - O prefeito reeleito de Macapá, João Henrique (PT), foi preso ontem pela Polícia Federal sob acusação de participar de um esquema de fraudes em licitações públicas no Amapá. O petista, que se apresentou espontaneamente, é apontado como membro de uma quadrilha que desviou parte de R$ 103 milhões em recursos federais. Anteontem, o prefeito de Santana (AP), Rosemiro Rocha (PL), já havia sido preso sob as mesmas acusações.
A prisão dos prefeitos fez parte da Operação Pororoca, deflagrada pela PF na última quinta-feira, que cumpriu 29 de 30 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Entre os membros da organização também estão, segundo as investigações, o ex-senador e ex-candidato a prefeito de Macapá Sebastião Rocha (PDT) e o empresário e suplente de senador Fernando de Souza Flexa Ribeiro (PSDB). Ambos foram soltos ontem junto com outras 21 pessoas. O prefeito não chegou a ser algemado. Ele foi preso por ordem do desembargador Tourinho Neto, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1 Região, de Brasília.
Em conversas telefônicas interceptadas pela polícia com autorização judicial, João Henrique fala com o empresário Luiz Eduardo Pinheiro Corrêa, tido como chefe da quadrilha e mentor do esquema de fraudes. Segundos as investigações, Corrêa mantinha um esquema para ganhar licitações públicas em pelo menos 53 municípios. Por meio de lobistas que atuavam em Brasília, ele tinha contato com parlamentares. Por meio do pagamento de propina (de R$ 10 mil a R$ 15 mil), ele conseguia que funcionários públicos alterassem dados no Siafi (sistema de acompanhamento de gastos federais) para regularizar, temporariamente, a situação de prefeituras devedoras à União.
Todos os envolvidos vão responder por crimes como peculato, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva e tráfico de influência.


