Prefeito de Loanda é afastado por improbidade
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
O prefeito de Loanda (Noroeste), Flávio Aramis Accorsi (PPS), foi afastado ontem do cargo por um período de 90 dias por decisão liminar do juiz substituto Paulo Fabrício Camargo, em ação de improbidade administrativa devido ao uso de maquinário e servidores da administração municipal em sua propriedade privada. O vice-prefeito, Nilson Wander Spinardi, o Peba (PTB), assumiu a chefia do Executivo.
Accordi responde à ação proposta pelo Ministério Público depois que foi flagrado, no dia 3 de maio, o uso de um trator e uma roçadeira da prefeitura e de seis funcionários municipais para trabalhos na Fazenda Sumatra, de sua propriedade. Ele chegou a ser preso em flagrante pelo ocorrido, mas foi solto no dia seguinte mediante pagamento de fiança de cem salários mínimos (R$ 72,4 mil).
Na ocasião, afirmou que pagaria pelos maquinários, que os servidores estavam fora do horário de serviço e seriam remunerados pelo trabalho particular e que a fazenda é arrendada. No momento do flagrante, Accorsi chegou a fazer ameaças ao delegado Luciano Purcino e a dois advogados que acompanhavam a diligência.
Na ação, o promotor Fabricio Drumond Monteiro argumenta que o afastamento por 180 dias é necessário devido ao "modo desafiador e de intimidação em que o requerido recebeu a autoridade policial e as demais pessoas em sua propriedade". O receio é que se utilize dos mesmos artifícios sobre os funcionários que atuaram na fazenda e que seriam as principais testemunhas do caso.
No despacho, o juiz Paulo Fabrício Camargo acata a argumentação do MP ao levar em conta não apenas as ameaças à autoridade policial, mas também o risco de que a manutenção de Accorsi no poder possa causar desconfortos às testemunhas, que são pessoas humildes e de baixa escolaridade. Para o magistrado, a postura de Accorsi "revela indícios da existência de resquícios do velho e odioso coronelismo, em que pessoas integrantes de famílias tradicionais de municípios e detentoras de cargos públicos relevantes se aproveitam de tal condição para praticar desmandos, intimidando pessoas e utilizando-se do patrimônio público, pertencente a toda a coletividade, como se fosse bem privado, de uso exclusivo".
Entretanto, apesar de atender ao pedido do promotor, Camargo pondera que o período de afastamento deve perdurar apenas pelo tempo necessário para a apuração e estipulou o afastamento por 90 dias.
A FOLHA procurou Accorsi por telefone em sua residência para comentar a decisão ontem à tarde, mas ele não estava e não retornou o recado.
Repercussão política
O incidente do início do mês não provocou apenas o indiciamento de Accorsi, mas também teve reflexos na sua vida política. Na segunda-feira após a prisão, o diretório estadual do PPS decidiu afastá-lo de suas funções partidárias o prefeito era o presidente da executiva municipal da sigla.
Ele também enfrentou uma representação na Câmara de Vereadores proposta por João Nicolau dos Santos, o Sargento Santos (SDD, ex-PPS). Entretanto, o pedido foi rejeitado, segundo o presidente do Legislativo, Heber Arboleia (PSC), para aguardar o andamento do processo na Justiça.


