Lúcio Flávio Moura
De Londrina
A Câmara de Vereadores de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) cassou ontem o mandato do prefeito Luiz Sato (PFL), acusado de improbidade administrativa e condenado por fraudes na licitação e aplicação de recursos de duas obras (uma delas, quando era vice-prefeito na gestão anterior).
À exceção do vereador Maurílio Martielho (PFL), membro da Comissão Processante que reuniu provas para a cassação – o último fiel a Sato, que não compareceu à sessão – os vereadores foram unânimes na decisão de afastar definitivamente o prefeito, que também é médico. O placar foi de oito votos a zero.
Encerrada a sessão do impeachment, às 14h30, o vice-prefeito Valério Remo Zanini (PDT) assumiu oficialmente o cargo que já exercia desde 22 de setembro, quando os vereadores haviam afastado Sato para dar continuidade às investigações promovidas por três comissões na Câmara. Zanini assume com o apoio de seis vereadores de seu partido, o PDT.
Sato foi procurado pela reportagem da Folha, mas não foi encontrado. Ninguém atendeu a campainha de sua casa e as ligações telefônicas, tanto para a linha fixa quanto para o celular, também não foram atendidas. Ele também não estava no hospital do qual é sócio.
A decisão de ontem fechou definitivamente o cerco a Sato. Denise Terezinha Correa de Melo Krueger, juíza-substituta de Uraí, comarca a qual o município de Jataizinho está subordinado, já havia se antecipado aos vereadores, condenando o prefeito por fraude no manejo de uma verba destinada a construção de uma tubulação de esgoto. A pena foi a perda da função pública, além da suspensão dos direitos políticos por cinco anos.
A juíza reuniu provas suficientes para afirmar que Luiz Sato, quando ainda era vice-prefeito, havia destinado os recursos (cerca de R$ 115 mil) da obra para o Hospital São Camilo – único da cidade – do qual é sócio-proprietário. Sato confessou a fraude à juíza, alegando que a unidade de saúde estava em péssimas condições financeiras na época.
Esta decisão incentivou a Câmara a afastar o prefeito por 180 dias, dois dias depois (22 de setembro) do veredicto. Irregularidades na licitação para a construção de uma creche motivaram nova condenação pela juíza nesta semana.

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