Cassado pela Câmara em maio passado e reempossado em julho graças a uma liminar, o prefeito de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), Pedro Wilson Papin (PSDB), decidiu ontem renunciar ao cargo. A carta de renúncia foi apresentada no final da tarde, durante a sessão de julgamento em que os vereadores decidiriam ou não por uma segunda cassação.
Derrotado nas urnas no dia 3 passado para o atual vice, Célio Pereira (PMDB), o tucano colocou carros de som chamando a população à Prefeitura e toda a frota de maquinário e veículos lavada e abastecida em frente ao prédio, logo após a renúncia. Na carta direcionada ao Legislativo, Papin disse que a atitude havia sido tomada em face de ''toda a humilhação'' de que vinha sendo vítima. À Folha, ele alegou que ''não tinha mais condições de aguentar a turbulência da Câmara'', que há meses o estaria pressionando. ''Fizeram uma sessão de julgamento de algo que não existe. Como perdi mesmo a eleição, não tenho por que ficar aguentando quem não tem respeito e credibilidade, como o presidente'', declarou, referindo-se ao vereador empossado prefeito ontem Antonio Vila Real (PMDB). Ele foi o escolhido depois de os parlamentares terem aprovado uma licença de 30 dias solicitada pelo vice de Papin.
Papin garantiu que a renúncia a pouco mais de dois meses do fim do mandato não vai lhe prejudicar perante a população de Ivaiporã. ''Vou retomar minha agência de turismo; saio de cabeça erguida'', considerou.
O futuro prefeito, Célio Pereira (PMDB), afimrou que foi pego de surpresa com a decisão. Ele justificou a licença em razão dos compromissos assumidos na eleição, como a prestação de contas. ''Nem a terminei ainda, além do que, meu secretariado também não está pronto'', disse.
Já o presidente da Câmara, empossado ontem prefeito, atacou Papin e lembrou que ele vinha prometendo ''uma bomba'' para cidade desde o início da semana. ''Hoje (ontem) ele ainda nos pediu adiamento da sessão de julgamento; como não conseguiu, pediu a renúncia'', destacou, acrescentando que a iniciativa foi positiva. ''Ele evitou que lêssemos um relatório de 640 páginas de um prefeito que, em mais de três anos, fez um chafariz como uma das obras mais importantes de Ivaiporã'', atacou.
Vila Real disse ainda que será criada uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar denúncias de que foram retirados equipamentos da Prefeitura e de escolas municipais. Quanto à segunda cassação, completou que os trabalhos da Comissão Processante estão suspensos por tempo indefinido.
No lugar de Vila Real, assume a presidência da Câmara o vereador Ciro Fernandes, do PT. O suplente do ex-presidente será Antonio Maronzi (PP).

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