O prefeito de Ivaiporã, Pedro Papin (PSDB), corre o risco de perder o mandato. A Câmara de Vereadores vota depois de amanhã a cassação de Papin com base nos resultados apurados por uma Comissão Processante (CP) que investigou supostas irregularidades cometidas em obras de readequação de estradas rurais. Papin é acusado pela CP de desvio de dinheiro público, superfaturamento e promoção de licitação fraudulenta. Ontem, a defesa do prefeito entrou com um mandado de segurança para impedir a sessão. O Ministério Público também investiga o caso.
As obras, no valor de R$ 143 mil, abrangeram cerca de 33 km e foram realizadas em 2001 com recursos da Secretaria de Transportes e Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Segundo o relator da CP, Cyro Fernandes Correa Júnior (PT), as irregularidades foram descobertas na prestação de contas da obra junto ao Tribunal de Contas.
''Percebemos que no processo constava que a Prefeitura havia comprado cascalho de cinco agricultores o que não ocorreu'', afirma. Segundo ele, o valor do suposto desvio chega a R$ 25 mil. Há também indícios de superfaturamento.
O valor pago pela hora máquina dos equipamentos estaria acima dos preços de mercado. ''Enquanto a Codapar sugere R$ 55 por hora máquina de trator esteira o município pagou R$ 92. É quase 100% de diferença'', afirma.
O promotor Leonardo da Silva Vilhena não quis adiantar se o MP vai entrar com ação contra o prefeito, visto que as investigações estão em andamento. Ele afirmou, no entanto, que há fortes indícios de irregularidades. ''Alguns produtores dizem que receberam parte do dinheiro, outros admitiram que assinaram documentos em branco'', disse.
A CP foi instaurada a patir de uma denúncia protocolada em novembro último pelos advogados Ademir Prudêncio da Silva e Elso Cardoso Bitencourt junto à Câmara.

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