O prefeito de Ibema (Oeste), Antônio Borges Rabel (DEM), foi preso preventivamente ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no desmembramento da operação Panaceia, acusado de receber propina de empresas que fornecem remédios ao município, após terem vencido licitações supostamente fraudulentas. Rabel, que teve a prisão decretada pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, teria tentado destruir documentos relacionados à investigação. Ele estava em casa e foi levado para a 15ª Subdivisão de Polícia Civil de Cascavel (Oeste).
Segundo a promotora de Justiça e coordenadora do Gaeco, Juliana Vanessa Stofela da Costa, após uma denúncia anônima os investigadores identificaram documentos já rasgados que estavam sendo descartados pelo prefeito de Ibema. "Houve a apreensão do material, foram feitas reconstruções e até colagens dos papéis pela nossa equipe e foi possível verificar que eram notas fiscais e outros materiais relacionados à investigação." Esses indícios teriam sido apresentados no pedido de prisão.
Na primeira fase da operação, no mês passado, o então secretário de Administração Valdir Roberto Scheifer, a secretária de Saúde, Eunice Vieira de Lara, uma servidora municipal lotada na Secretaria de Saúde, e três empresários ligados à distribuidoras de medicamentos, sediadas em Cascavel. Eles são réus em ação penal sobre corrupção ativa e passiva, peculato e receptação, que tramita no Fórum de Catanduvas (Oeste) sobre o caso. Na ocasião o Ministério Público (MP) cumpriu 16 mandados de busca e apreensão na prefeitura de Ibema, em residências de servidores e empresários, farmácias, hospital e posto de saúde. Na ocasião também foram apreendidos computadores, documentos, medicamentos, R$ 26 mil em dinheiro e R$ 30 mil em cheques. A Justiça de Catanduvas também determinou, à época, o bloqueio de bens imóveis, veículos e contas bancárias dos investigados.
Juliana revelou que Rabel recebia propina das distribuidoras de remédio mensalmente. "De mil reais a R$ 5 mil." Somente em propina, o Gaeco calcula que os empresários pagaram mais de R$ 120 mil. "Havia notas fiscais frias que eram pagas pela prefeitura sem a entrega dos medicamentos. Houve casos de cidadãos que passaram mal porque consumiram remédios vencidos", explicou a promotora.
O advogado do prefeito, Gilvano Colombo, disse que vai se pronunciar sobre o caso apenas depois de ter acesso ao processo no TJ.

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