Curitiba - Afastado desde o dia 27 de dezembro do ano passado, o prefeito de Guaratuba, José Ananias dos Santos (PMDB), reassumiu o cargo ontem apoiado por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ananias havia sido afastado após uma investigação do Ministério Público (MP) apontar a contratação de empresas sem licitação pela prefeitura. No entender do MP, a presença de Ananias na prefeitura dificultava a averiguação das irregularidades encontradas.
A decisão de suspender a liminar que afastou Ananias foi do ministro Nilson Naves, presidente do STJ. Naves levou em conta o fato de que o MP pediu a prorrogação do afastamento do prefeito, que deveria ter se encerrado em abril. Em sua sentença, Naves destacou que haveria ''o interesse do MP em perpetuar o afastamento do prefeito por prazo indeterminado'', o que estaria causando ''instabilidade política no município de Guaratuba''. A Folha tentou contato com o promotor de Guaratuba, Lucílio Held, mas ele não retornou as ligações.
Segundo Ananias, a decisão do STJ mostra que ele vinha sofrendo uma perseguição política. ''O que estava havendo era uma cassação branca. Com a decisão, o STJ satisfaz o desejo da população, que não suportava os desmandos que vinham ocorrendo na prefeitura desde dezembro'', afirmou. Ananias é inimigo político de seu vice, Miguel Jamur (sem partido), que estava à frente da prefeitura até ontem. A inimizade entre os dois chegou ao ponto em que Ananias teve que recorrer a um chaveiro para poder entrar novamente na sede da prefeitura.
Ananias pretende passar uma semana montando sua equipe de governo. ''Nesse período, vamos manter a sede da prefeitura fechada. Quero fazer uma auditoria para ver o que tem dentro da sede. Quero também um tempo para escolher os novos secretários municipais. Alguns serão da equipe antiga, outros serão novos'', afirmou. Todos os secretários que formavam a equipe de governo de Ananias foram afastados por Jamur.

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