Imagem ilustrativa da imagem Prefeito de Foz é preso e afastado do cargo
| Foto: Nani Gois/Alep
Além da prisão domiciliar e do afastamento do cargo, juiz proibiu o acesso de Reni Pereira às dependências da prefeitura e de receber visitas em casa



Acusado de chefiar organização criminosa para desvio de recursos da Prefeitura de Foz do Iguaçu (Oeste), Reni Pereira (PSB), foi preso ontem pela pela Polícia Federal (PF) e afastado do cargo de prefeito por decisão do desembargador federal Márcio Antônio Rocha, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre.
A prisão domiciliar atendeu pedido do Ministério Público Federal (MPF), que investiga irregularidades desde 2014 e, em abril deste ano, deflagrou a Operação Pecúlio. Em junho, 85 pessoas, incluindo empresários, vereadores, servidores públicos e cargos de confiança de Reni, foram acusadas de integrar a organização criminosa. O prefeito, no entanto, e sua esposa, a deputada estadual Cláudia Pereira (PSB), pelos cargos que ocupam, respondem perante o TRF4.
Na decisão, o magistrado determinou, além da prisão domiciliar e do afastamento do cargo, a proibição de acesso de Reni às dependências da prefeitura; de receber visitas pessoais em sua casa, sem prévia autorização judicial; e do uso de telefones celulares e internet, salvo para contatos com o respectivo defensor e familiares. Se não cumprir as determinações, pode ser detido em estabelecimento prisional, asseverou o desembargador federal.
O fato determinante para a ordem de prisão, conforme a decisão do magistrado, foi o possível constrangimento de testemunhas. Pessoas que firmaram acordo de delação premiada com o MPF teriam recebido a visita do advogado do prefeito, Egídio Fernando Aguello Júnior, na carceragem da PF. O propósito, segundo o MP, seria intimidá-las.
Ao deferir a prisão, o desembargador constatou "a partir dos novos elementos de prova trazidos a Juízo, a concorrência de vários fatores demonstrativos da necessidade de segregação cautelar do investigado Reni, bem como de seu afastamento da função pública em cujo exercício praticou e vem praticando as ações investigadas no inquérito e noticiadas no presente pedido de prisão preventiva"
O esquema de corrupção relatado na denúncia ajuizada em junho, que tramita na 3ª Vara Criminal da Justiça Federal, em Foz, consistia em fraude em licitações para o asfaltamento de ruas e em contratos na área da saúde, com recursos do governo federal. Naquela ocasião, o MPF pediu a prisão de Reni, mas foi negada pela Justiça.
Nesta denúncia, o MPF afirma que "coletou-se ampla prova acerca da existência de uma organização criminosa chefiada pelo prefeito Reni Clovis de Souza Pereira, infiltrada na administração pública municipal, com braços em diversas secretarias, por meio de nomeações de integrantes do grupo criminoso em cargos de comando, cujo objetivo era a manipulação das principais ações de gestão com a finalidade de desviar recursos públicos, obter de vantagens indevidas por meio de contratos firmados ilicitamente com a prefeitura de Foz do Iguaçu e extorquir empresários, cujas empresas já prestavam serviços ao ente público ou possuíam interesse em tal labor".
O advogado Aguello Júnior foi procurado em seu escritório e no celular, mas não foi localizado; o escritório de advogados contratados em Curitiba informou que não dá entrevista sobre o caso; e o gabinete na deputada Cláudia Pereira não deu retorno à reportagem.

INTERINA
A vice-prefeita Ivone Barofaldi (PSDB) assumiu ainda ontem, por volta do meio-dia, o cargo em caráter interino. Na decisão de afastamento do prefeito, o desembargador Márcio Antônio Rocha, encaminhou notificação a ela. Ontem, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Foz, Ivone passou o dia reunida com secretários, procuradores jurídicos e responsáveis pelo setor de saúde para decidir as medidas para prosseguir com a administração da cidade. Por meio da assessoria, ela não fez qualquer comentário sobre a prisão do prefeito afastado ou sobre as investigações. Há pouco mais de um mês, a vice-prefeita declarou-se pré-candidata à prefeitura, nas eleições de outubro. Ela deve conceder entrevista coletiva hoje.

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