Curitiba - Os vereadores da capital do Estado votam hoje um projeto de lei que reajusta o salário do prefeito da cidade em 28,17%. Caso seja aprovado na Câmara de Vereadores, o chefe do Executivo municipal passará a receber R$ 24,5 mil por mês, o equivalente ao salário de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o projeto, o reajuste passaria a vigorar em janeiro de 2009.
A proposta também prevê o aumento para o vice-prefeito e secretários municipais de 88,39%, para vereadores de 29,69% e para o presidente da Câmara de 61,58%. Segundo o presidente da Casa, João Cláudio Derosso (PSDB), a proposta respeita os mesmos parâmetros utilizados pelos deputados. ''E esses valores serão pagos para a próxima legislatura, independente de quem vá ser eleito'', esclarece. O vereador também ressaltou que os salários não sofrerão alteração durante quatro anos.
Segundo Derosso, o aumento de 88,39% no salário do vice-prefeito e dos secretários tem o objetivo de corrigir uma defasagem. ''Avaliamos que são valores baixos para a função e isso pode fazer com que se perca profissionais qualificados'', justifica. Já o salário do presidente da Casa será reajustado em 61,58% porque o cargo ''não tem cartão corporativo''. ''Quando temos que receber alguma autoridade, ciceronear um visitante, temos que pagar do bolso'', reclamou.
O salário do prefeito já é o maior entre as 26 capitais do país. Em abril de 2007, Beto Richa (PSDB) abriu mão de 20% de sua remuneração por conta da repercussão de reportagens veiculadas na imprensa a respeito do assunto. Como não pode reduzir o próprio salário, Richa doa à cidade R$ 5.263,52 por mês. A prefeitura informou à reportagem que não vai comentar o projeto até que a proposta tenha tramitado na Câmara.
Para a vereadora Professora Josete (PT), o aumento proposto é incoerente. ''Se o prefeito se sentiu na necessidade de abrir mão de 20% do salário, porque então não levar esse fato em consideração ao calcular o reajuste?'', questionou. Para ela, ''deveria ser aplicado o mesmo coeficiente de reajuste que foi oferecido aos servidores públicos nos últimos quatro anos: 25,06%.

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