Prefeito de Campina da Lagoa é algo de CP
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terça-feira, 27 de março de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O suposto desvio de verbas públicas para quitar dívidas da campanha eleitoral de 2004 é alvo de uma Comissão Processante (CP) que analisa o pedido de cassação do mandato do prefeito de Campina da Lagoa, Celso Ferreira (PFL). A CP foi instaurada anteontem à noite, assim que o Plenário da Câmara de Vereadores aprovou em segundo e último turno, por quatro votos a três, o relatório de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) que apurava a denúncia contra Ferreira.
Conforme as investigações iniciadas em agosto de 2006 e que constam do relatório da CEI, cerca de R$ 200 mil teriam sido desviados para pagamento de despesas do período eleitoral. A denúncia foi apresentada pelo ex-prefeito e ex-coordenador da campanha de Ferreira em 2004, Joaquim Antônio de Lima, segundo o qual o recurso teria pago comerciantes que afirmam ter emitido notas frias, a assessores da administração, como forma de se justificar a saída do dinheiro.
Em entrevista à FOLHA, há duas semanas, Lima afirmara que os próprios comerciantes o teriam procurado para relatar a situação, e mesmo para admitir: a emissão dos documentos, ainda que sem fornecimento dos materiais ou a efetiva prestação dos serviços, seria uma maneira de eles serem ''prestigiados'' pelo Executivo, posteriormente, nas compras da prefeitura.
Ontem, o presidente da Câmara de Campina da Lagoa, Fernando Calderari (PFL), afirmou que a CP contra Ferreira ''se baseou, principalmente, em notas frias emitidas em janeiro de 2005 para justificar possíveis gastos do transporte escolar. Mas não houve esse gasto no período relatado'', afirmou, referindo-se a notas de gatsos com combustível no valor de R$ 28 mil, anexadas ao relatório da CEI.
De acordo com Calderari, a comissão processante terá prazo de 90 dias para a conclusão dos trabalhos. Nos próximos 15 dias, adiantou, o chefe do Executivo deverá ser chamado para apresentar defesa.
A reportagem tentou contato com Ferreira pelo celular, que estava desligado, mas ele não retornou a ligação. Na prefeitura, um funcionário do gabinete argumentou que o prefeito teria ações judiciais contra a Câmara, em razão das denúncias, mas que apenas o próprio poderia se manifestar a respeito.


