O promotor substituto da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), Erinton Cristiano Dalmaso, ajuizou ontem uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra o prefeito Beto Pugliese (PMDB), a primeira-dama e secretária de Assistência Social do município, Maria Cristina Giocondo Pugliese, e o irmão da primeira-dama e secretário municipal de Administração, Luiz Antônio Giocondo.
O promotor acusa o prefeito e os secretários de ''transformarem a administração pública municipal num lucrativo negócio de família''. O texto da ação diz que ''a associação dos réus estabeleceu intensa prática de nepotismo no Poder Executivo Municipal.'' Dalmaso cumulou ainda à ação civil pública um pedido de liminar que pede a indisponibilidade de bens de todos os réus até o trânsito em julgado da sentença e a exoneração, em 24 horas, de Maria Cristina e Luiz Antônio. O juiz da Vara Cível de Arapongas, Daniel Tempski Ferreira da Costa, informou à FOLHA que julgará o pedido de liminar no começo da próxima semana.
A ação pede ainda a devolução aos cofres públicos de todos os salários que a mulher e o cunhado do prefeito receberam desde que assumiram os cargos de secretários, no primeiro dia do primeiro mandato de Pugliese, que governou Arapongas de 2005 a 2008 e se reelegeu para novo mandato até 2012. A primeira-dama e seu irmão recebem o mesmo salário como secretários: R$ 5.257,22 (4.186,67 líquidos). Se houver a condenação, eles terão que devolver mais de R$ 450 mil. Os réus também estão sujeitos à perda de função pública e suspensão dos direitos políticos.
Procurados na Prefeitura pela FOLHA, o prefeito, a primeira-dama e o secretário não foram encontrados porque estavam cumprindo agenda em bairros da cidade. No entanto, Pugliese atendeu à reportagem por telefone. O prefeito declarou que sua mulher - formada em Relações Públicas - e seu cunhado - economista - são extremamente importantes para a administração e não devem ser substituídos. ''Se o juiz se posicionar favorável à liminar que manda que eu os exonere, vou recorrer'', declarou. ''Aqui na prefeitura não há 'gafanhotos' e nem namorada de neto de ninguém. Não estou fazendo nada de errado. Eles trabalham. E muito'', completou.
Pugliese lembrou que já foi alvo de ação semelhante por parte do Ministério Público (MP). ''Já fui absolvido'', destacou, falando sobre uma ação anterior do MP que tentava obrigá-lo a não contratar parentes. Ele também se apoiou na súmula vinculante nº 13, do Supremo Tribunal Federal (STF). ''O Supremo já declarou que o administrador público pode contratar parentes de até terceiro grau'', enfatizou.

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