O vice-prefeito de Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho), Willian Zanatta Ferri (PPS), protocolou ontem, na Câmara de Vereadores, um relatório contendo 12 denúncias contra o prefeito Edeval Soares Nogueira (PFL). As denúncias se referem a pagamentos irregulares de empenhos, repasse de recursos e notas fiscais falsificadas. Ferri acredita que houve desvio de recursos. ''O valor das irregularidades apresentadas somam cerca de R$ 30 mil'', afirmou.

A principal denúncia se refere ao repasse de R$ 24,5 mil destinados ao pagamento de um escritório de advocacia para um trabalho que, segundo Ferri, nunca foi realizado. O vice-prefeito falou também do pagamento irregular de notas fiscais empenhadas em 2001 referentes a urnas funerárias e a falsificação de uma portaria. No caso das urnas funerárias, as notas fiscais teriam sido empenhadas neste ano, mas os caixões foram usados em 2000.

Segundo Ferri, em um dos empenhos para a construção de bueiros estava registrada a aquisição de portas e lâmpadas. Outro empenho de produtos de materiais de construção, ainda de acordo com o vice-prefeito, estava em nome de uma loja de informática.

''Conseguimos obter uma declaração dos proprietários que negam a venda dos produtos e, no caso dos caixões, o comerciante afirma que as notas foram feitas a pedido do prefeito'', relatou Ferri.

O vice-presidente da Câmara, Antônio Arcanjo de Oliveira (PSL), o Toninho Rosa, disse que as denúncias foram protocoladas, mas não foram ainda avaliadas. Ele informou que uma reunião será realizada nesta semana para definir quais medidas vão ser tomadas.

Oliveira acredita que as irregularidades são resultado de erro nos procedimentos. Mas admitiu a instauração de uma Comissão Especial de Investigação (CEI). ''Não acredito na cassação, mas teremos que instaurar uma CEI,'' disse.

O vereador Advilson Augusto (PFL) defendeu a instauração de uma Comissão Processante. ''Não sou contra o prefeito, mas temos que tomar uma decisão,'' afirmou.

Das denúncias feitas pelo vice-prefeito, três já estão sendo investigadas pelo Ministério Público (MP), que ajuizou três ações civis. São as que tratam do pagamento irregular de combustível e para pessoas físicas, além do repasse de recursos a entidades assistenciais. De acordo com o MP, os pagamentos ultrapassam os R$ 15 mil.

O vice-prefeito disse suspeitar também da possibilidade de envolvimento da administração municipal com o esquema de falsificação de notas. O caso está sendo investigado pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e envolve prefeituras da região. ''Temos alguns indícios, mas não podemos confirmar as acusações'', afirmou.

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