Patrícia Zanin
De Londrina
Carregado por eleitores de seu gabinete até o saguão da Prefeitura de Londrina ontem à tarde, o prefeito Antonio Belinati (PFL) não escondeu a satisfação de ouvir seu nome repetido à exaustão por cerca de 150 homens, mulheres e crianças. Mas confirmou que não disputará a reeleição, conforme havia anunciado neste final de semana.
Os eleitores de Belinati afirmam ter sido convocados por lideranças de bairros e assentamentos para prestar solidariedade ao prefeito, cujo pedido de cassação do mandato foi requerido ontem na Câmara (ler na página anterior). O grupo foi até a prefeitura com ônibus fretados, depois da sessão no Legislativo. Além de apostar na inocência de Belinati, os populares querem que ele dispute seu quarto mandato. O prefeito retribuiu o apoio dizendo ‘‘amar o povo’’, mas afirmou que a manifestação não o fará desistir do anúncio de ficar fora da disputa de outubro. ‘‘A decisão está mantida’’, afirmou.
Belinati não estava na prefeitura à tarde. Alegou estar fazendo visitas e, avisado por assessores da presença do eleitorado, disse que resolveu ir ao prédio devido à ‘‘grande insistência’’. O ato em defesa de Belinati durou exatos 12 minutos e foi prestigiado por secretários e assessores. Ele chegou ao gabinete às 16h15, foi aplaudido e carregado no colo por dirigentes de associações de moradores. Em seguida, foi levado até o saguão, onde uma multidão o aguardava com gritos de apoio e aplausos. Antes de Belinati chegar, sua chefe de gabinete, Sandra Graça, cuidou pessoalmente da tarefa de orientar as lideranças para manter a ordem no local.
Os refrões ‘‘Eu já falei, vou repetir: é Belinati que manda aqui’’ e ‘‘Nós vamos votar de novo, Antonio Belinati é o candidato do povo’’ foram repetidas diversas vezes. Sob flashes e luzes, o prefeito ficou em pé em frente a uma mesa no saguão, pegou crianças no colo e retribuiu beijos de jovens e mulheres. Também quis discursar, mas foi interrompido várias vezes com gritos de ‘‘o povo te ama’’. Suado e sem tirar o sorriso do rosto, agradeceu ‘‘de coração por esse gesto querido do povo que eu amo’’. Em discurso, lançou outro refrão: ‘‘Enquanto o Belinati for prefeito, meu refrão é o povo’’.
Ele também apelou a Deus – fez duas referências. ‘‘Que Ele retribua esse gesto de solidariedade e de calor humano’’, disse. Depois, complementou: ‘‘Com a bênção e a orientação de Deus, continuarei fazendo o melhor de mim para humanizar cada vez mais a cidade para dar qualidade de vida a esse povo tão abençoado’’.
O discurso do prefeito foi breve. Minervina Teles Ferreira, moradora do Distrito de Irerê, gritou que amava o prefeito, colocou-se ao lado dele e agradeceu as benfeitorias promovidas por Belinati na zona rural. Antes de se deslocar à prefeitura, Minervina esteve na Câmara para engrossar o grupo de apoio ao prefeito, quando declarou: ‘‘Morro de dó dele. É um homem muito bom’’. Ela listou obras realizadas pela prefeitura no distrito. Questionada sobre as denúncias de envolvimento do prefeito no escândalo do desvio de recursos públicos na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Minervina afirmou: ‘‘Se ele ponhô (sic) a mão nesse dinheiro, não foi só ele. E se ele pegou ou não, mostra serviço. Tô com ele e não abro.’’
Na semana passada, Belinati havia declarado, com exclusividade à Folha, não temer a cassação. Ontem, quando o pedido de impeachment deu entrada na Câmara, ele não quis comentá-lo. Alegou que só iria falar ontem ‘‘do calor humano’’.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários Paulo Lima, o eleitores do prefeito foram ludibriados. ‘‘Londrina tem que cuidar do futuro’’, alertou. Lima integrou o grupo que foi protestar na Câmara contra Belinati e apoiar o pedido de cassação.

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