O prefeito Mário Coppola (PFL), de Santana do Itararé (123 quilômetros ao sul de Jacarezinho), entra hoje com mandado de segurança para tentar reaver o cargo, cassado anteontem pela Câmara de Vereadores. O anúncio foi feito pelo advogado dele, José Alves de Oliveira.
Coppola é acusado de desvio de verbas e teve o mandato cassado em sessão extraordinária realizada pelo Legislativo. Sete dos nove vereadores votaram a favor da cassação, proposta pelo relatório final da Comissão Processante (CP) que apurou irregularidades na reforma de um colégio local. Dois vereadores não compareceram ao plenário.
O mandado de segurança em que Coppola tenta voltar ao cargo será impetrado no fórum de Wenceslau Braz, que é a sede da Comarca. O advogado contestou a versão segundo a qual ele teria tido o sigilo bancário quebrado e negou ser ‘‘laranja’’ de Coppola. Os vereadores de oposição consideraram suspeito o fato de Oliveira ser advogado do prefeito e da construtora que reformou o Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco.
Do relatório da Comissão Processante da Câmara consta que Oliveira recebeu dois cheques no valor total de R$ 18 mil. Mas ele se defende: ‘‘Apenas repassei o dinheiro para a empresa’’, argumentou. O advogado também declarou não achar estranho o fato de defender os interesses tanto da prefeitura quanto da construtora. ‘‘É apenas uma coincidência’’, alegou.
O engenheiro que executou a obra, Luis Carlos de Azevedo, irmão do dono da construtora, disse ontem que não houve irregularidades. ‘‘Foi feita a licitação, a firma ganhou e fez a reforma’’.
Ele observou também que o Departamento Estadual de Obras (Decom) ‘‘fez a vistoria e não comprovou irregularidade nenhuma’’. Ele também afirmou que a construtora não recebeu pela totalidade dos serviços executados. ‘‘Faltam R$ 22,5 mil ainda para a construtora receber’’, disse Azevedo.
A Comissão Processante que resultou na cassação do mandato do prefeito reuniu documentos mostrando que Coppola teria se apropriado indevidamente de parte de R$ 49,5 mil destinados à reforma da escola. Ele também foi acusado de um suposto desvio de R$ 400 mil do Fundo de Manutenção do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

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