Frustrando a expectativa de muitas pessoas e talvez para o alívio de algumas, o prefeito cassado e afastado Antonio Belinati (PFL) não se pronunciou ontem na sessão da Câmara, conforme havia ameaçado, para dar sua opinião sobre os vereadores. ‘‘(Vou falar) quando achar conveniente’’, desconversou, ao final da sessão. No início da semana, Belinati havia anunciado que compareceria ao julgamento para prestar esclarecimentos à população e fazer uma avaliação das condutas ética e moral de 18 dos 21 vereadores. Esperava-se que ele fosse arrasar.
Belinati chegou na Câmara às 7h45 carregando duas pequenas pastas. Ele estava acompanhando de um de seus advogados, Eduardo Duarte Ferreira. Após cumprimentar e abraçar alguns servidores públicos, o prefeito cassado se dirigiu à sala de julgamento e permaneceu a maior parte do tempo sentado, ao lado dos estagiários do escritório de seu advogado Antonio Carlos Vianna. ‘‘É uma satisfação grande estar aqui na Câmara, onde comecei a minha vida política há 32 anos’’, disse aos seus pares, quando a sessão se iniciava.
Cerca de 50 pessoas do Movimento pela Legalidade (a favor do prefeito cassado) ocuparam a galeria, logo acima de onde Belinati estava sentado no plenário. A pedido delas, ele se levantou algumas vezes para cumprimentá-las e foi aplaudido. ‘‘Queremos ver voc꒒, gritavam.
Ainda no início da sessão de julgamento, Belinati falava da possibilidade de usar equipamentos do Legislativo para mostrar prometido material de áudio e de vídeo para ilustrar a sua exposição. Mas fazia suspense sobre o que poderia falar ou exibir. ‘‘A população está aguardando o nosso pronunciamento; vou analisar como foi a conduta e o comportamento dos vereadores’’, repetia.
Ao final da decisão dos vereadores de arquivar o caso, Belinati se conteve e preferiu comemorar discretamente. ‘‘Prevaleceu a boa interpretação do que é a lei’’, afirmou. ‘‘Os vereadores aliados e até alguns de oposição viram que era uma estupidez fazer um segundo julgamento.’’ Ele disse não considerar o arquivamento uma vitória. ‘‘Para mim não significa absolutamente nada muda porque já estou cassado’’, justificou.
O prefeito cassado foi questionado diversas vezes pelos jornalistas sobre sua promessa de falar dos vereadores. Ele negou que tivesse falado em ameaças contra eles. ‘‘Hoje não tenho nada a divulgar, a não ser o respeito e gratidão ao povo de Londrina’’, discursou. ‘‘Oportunamente, vou dar uma entrevista para fazer uma avaliação do trabalho como prefeito de Londrina’’, desconversou.
Perguntando sobre o recurso que sua defesa move no Tribunal de Justiça (TJ) para tentar reverter a cassação de seu mandato, Belinati não quis entrar em detalhes. Afirmou que o caso está aos cuidados de seus advogados e que sua preocupação atual era de fazer campanha para ‘‘o nosso candidato a prefeito’’ (Farage Kouri – PFL).
Sobre as eleições de outubro, Belinati ironizou a atitude dos candidatos, que afirmam que a prefeitura passa por uma situação financeira difícil. ‘‘Se é tão difícil, por que este gesto de honra e de bravura em querer ser prefeito?’’
Ao término da sessão, Belinati e sua comitiva estavam se preparando para deixar a Câmara pela porta do estacionamento, mas ele recuou ao perceber que seria ‘‘recepcionado’’ por integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública. ‘‘Cadê o ladrão?’’, gritavam alguns pessoas.
Depois de alguns minutos andando pelos corredores e cumprimentando servidores até que seus assessores encontrassem uma saída, o prefeito cassado optou pela porta principal. Lá, ele encontrou somente seus simpatizantes. Após ser aplaudido e abraçado por vários deles, entrou rapidamente em um carro e foi embora.
A saída de Belinati foi a causa para quase um confronto entre os dois movimentos. Alguns integrantes do Movimento pela Moralização estavam próximos à porta principal, quando começaram a ser xingados pelos simpatizantes de Belinati. Os pró-Belinati, em maior número, começaram a correr atrás dos membros da Moralização e tiveram que ser contidos pelos policiais militares.

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