FAROL - A Câmara de Vereadores de Farol (25 quilômetros a oeste de Campo Mourão) aprovou anteontem à noite o afastamento do prefeito Gilmar Aparecido Cardodo (PSDB). Ele é acusado de não ter repassado a verba da Câmara que venceu no dia 20. O afastamento foi aprovado por seis votos a dois numa sessão tranquila e sem público. A votação foi secreta e apenas um vereador não compareceu. Ontem pela manhã, a Câmara deu posse ao vice-prefeito, José Laurindo Kraus (PPB).
‘‘Somos rigorosos’’, admitiu o presidente da Câmara, Vilmar Schiavon (PMDB). Segundo ele, o prefeito agiu com ‘‘desrespeito’’ ao Legislativo municipal ao não efetuar o repasse. A Câmara havia pedido pouco mais de R$ 5 mil para pagar os vereadores, os funcionários e as despesas de manutenção. ‘‘Ele precisou dos vereadores por quatro anos e não pode agir dessa maneira só porque vai entregar o cargo’’.
A posse do vice foi folclórica. O prefeito Gilmar Cardoso se recusou a sair do gabinete, alegando que a cassação não era legal. ‘‘Daqui eu não saio’’, disse. Schiavon e outros cinco vereadores, então, deram posse a Kraus num corredor da prefeitura. Sem saber se apoiava Cardoso ou se assumia o cargo, Kraus optou por seguir a lei, mas não quis fazer nenhum comentário. Logo após a posse, ele foi para a sua chácara e, segundo informações da família, só retornaria no final da tarde.
‘‘Isso é um absurdo’’, disse Cardoso à Folha de Londrina. ‘‘Não me deram direito de defesa e nem notificação’’. Ele entrou com um mandado de segurança e esperava uma liminar devolvendo-lhe o cargo ainda ontem. Cardoso disse ainda que a Lei Orgânica de Farol não prevê o afastamento do prefeito, apenas a cassação. A resolução 04/96, que determinou o afastamento, deve ser publicada hoje no órgão oficial de Farol. Ela diz que o prefeito volta ao cargo assim que fizer o repasse à Câmara.

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