Equilibrar as contas e recuperar a confiança da população. Esses são os principais desafios elencados pelo recém-empossado prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT). Num início de mandato - que hoje completa dez dias - marcado pelo anúncio de medidas de contenção de despesas, o chefe do Executivo municipal fala sobre os principais desafios para os próximos três anos e oito meses, mesmo sem dar muitos detalhes sobre como viabilizar as promessas de campanha em época de crise e dificuldades no orçamento.

Qual é o principal desafio da sua gestão?
Equilibrar as contas públicas, conseguir encontrar dentro do orçamento uma forma de cumprir com os compromissos obrigatórios e depois disso fazer a cidade realmente que a gente planejou no nosso plano de governo. Agora, vejo que o maior desafio é ter a confiança de toda a população e, conquistando essa confiança, poder elevar a autoestima do londrinense, aquele orgulho que ele sempre teve e ainda tem, mas que está com a chama apagada.

Apagada por conta dos escândalos recentes da política?
Não só por isso, mas também pela apatia, pela falta de um prefeito que exercesse efetivamente essa forma de administrar. Com raras exceções. Talvez o (ex-prefeito Antonio) Belinati tenha sido um prefeito que gostava do que fazia. Agora, nós tivemos aí prefeitos que não tinham vontade de ser prefeito, de administrar e dedicar-se efetivamente.

A redução dos cargos comissionados pode atrapalhar o andamento da máquina pública?
Estamos tendo e tivemos muita dificuldade para conseguir fechar dentro do organograma hoje existente na prefeitura esses cargos. Vejo que a atual configuração administrativa contempla todos os segumentos da cidade, está bem dividido. Para que fechar uma secretaria? Não sei qual vai ser o resultado do estudo que estamos planejando para ter mais agilidade, diminuir mais gastos, dar mais racionalidade administrativa. Hoje, pela gama de atendimentos que a prefeitura precisa fazer, está bem organizada. Temos que valorizar o servidor de carreira e estimulá-los a trabalhar. As políticas de Estado têm que ser cumpridas pelos servidores de carreira. As políticas de Governo precisa também das pessoas que estiveram junto conosco e de personalidades da sociedade. Mas encontramos um quadro inchado, com dificuldade financeira, aliado à crise internacional e nacional que vivemos e tivemos de nos adequarmos. Não tenho nenhuma vontade de cortar por cortar, simplesmente. Mas precisamos encontrar uma alternativa.

É possível acomodar as forças políticas que o apoiaram no processo eleitoral?
Creio que quase todas. Não da forma que eles gostariam porque estavam acostumados a ter uma estrutura inchada e acreditavam, por uma cultura que já vinha há muito tempo, que a prefeitura era uma ''teta'' para que eles pudessem mamar. Não é isso. A gente sabe da responsabilidade que temos que ter com a sociedade e temos de ter também o respeito pelas pessoas que nos ajudaram a chegar aqui, mas agora temos que pensar na cidade toda.

Qual é a sua expectativa quanto ao relacionamento com a Câmara?
Pelo que tenho ouvido dos vereadores eles vão apoiar o que for de interesse público e bom para a cidade. Então, creio que poderemos ter um bom relacionamento. Sei como funciona o Legislativo e sabemos que o Parlamento é a caixa de ressonância de tudo o que acontece na cidade.

Qual é sua expectativa para a relação com o Governo Federal?
É a mais próxima possível. Temos que aproveitar o governo do presidente Lula e os ministros que lá estão para que possam nos auxiliar nesse momento de dificuldade da prefeitura. Mas, em contrapartida, temos que ter a competência necessária para ter agilidade no encaminhamento dos processos para receber essa ajuda que já poderia ter sido feita e realmente não aconteceu.

E em relação ao Governo Estadual?
Tive apenas um único contato com o governador e a gente espera até ampliar esse relacionamento. Para que o Estado possa aplicar em Londrina os investimentos que a cidade precisa e que são obrigatórios até por conta de tudo aquilo que Londrina representa e dos impostos que o cidadão recolhe aqui.

Qual é o modelo ideal para o fornecimento de merenda, que tem enfrentado problemas recentemente?
O ideal não existe. Acho que a gente precisa fazer. Temos um compromisso com milhares de crianças. Em outubro vence o contrato com a empresa que presta serviço. Meu sonho é que nós só compremos a merenda dos produtores locais. Essa é até uma lei que está sendo concluída no Senado. Isso vai girar a economia e melhorar para os produtores locais, principalmente para os pequenos, e vai dar qualidade porque evita a vinda de produtos de fora. E você pode utilizar produtos da época. O que faltou foi fiscalização. Vamos aproveitar as quase 200 merendeiras do município para que elas possam trabalhar novamente, junto com a empresa. Queremos qualidade e queremos preço.

Qual é o prazo para viabilização do ensino em tempo integral nas escolas municipais - uma das suas principais promessas de campanha?
No segundo semestre já vamos começar algumas ações para poder fazer o atendimento integral ou o novo turno para as crianças. No ano que vem vamos começar de forma mais audaciosa para procurar atender um número maior ainda de crianças. E gradualmente queremos atingir, dentro das nossas possibilidades, queremos atingir o maior número de crianças, através de parcerias com universidades, igrejas, escolas particulares, cooperativas, clubes de serviço, clubes recreativos.

Mas há verba suficiente para viabilizar esse projeto?
Não tem toda ela da forma como a gente gostaria de fazer o atendimento. Vamos encontrar dentro da verba destinada hoje para a educação uma maneira de conseguir implantar a escola em tempo integral. É um sonho que a gente vai realizar ainda dentro da nossa administração.

Como resolver a questão do déficit de vagas nas creches?
Vamos melhorar o repasse para as entidades filantrópicas e encontrar mecanismos para remunerá-los da forma adequada. É caro investir em educação, mas é muito mais barato investir na criança do que investir nos presídios.

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