Prefeito afastado sofre mais acusações
Patrícia Zanin
De Londrina
O prefeito afastado de Jataizinho (21 km a leste de Londrina), Luiz Sato (PFL), sofreu novas acusações de improbidade e agora tem contra si a ação de três comissões na Câmara duas processantes e uma Especial de Inquérito. A terceira, instalada na segunda-feira, deu a Sato prazo de dez dias para se defender. O prefeito foi afastado do cargo pela Câmara no dia 21 de setembro, depois de sentença judicial que, além de cassar seu mandato, condenou-o por improbidade administrativa na época em que ele era vice-prefeito do município (1993-1996).
A nova comissão foi aprovada com base em denúncias de irregularidades supostamente cometidas por Sato em viagens. As novas denúncias foram remetidas ao Legislativo pelo ex-prefeito Humberto Chamilete, que teve acesso a empenhos e notas que, segundo ele, estavam arquivadas na prefeitura. Chamilete disse aos vereadores que o município pagou por camisetas, meias, carne, peixe e cerveja em empenhos que tinha outros fins.
De uma das notas de empenho, cuja cópia foi remetida à Folha pela Câmara, consta o pagamento de R$ 166,56 para artigos de higiene, limpeza e conservação para o Departamento de Saúde da prefeitura, mas o cupom fiscal, de número 77457, do Carrefour de Londrina, discrimina a compra de cerveja, refrigerantes, copos de chopp e salame. Em outras notas, estão apontados o pagamento de despesas em vários restaurantes de Londrina como Minato, Tai Wan e Zoccos.
Outras notas discriminam compra de roupa. A prefeitura teria pago R$ 46,00 à Loja Side Play, de Londrina, pela compra de camisetas e quatro meias três do personagem Piu-Piu e outra do Frajola. A denúncia de Chamilete inclui ainda gastos de R$ 163,31 na Yamamura Comércio de Pescados Ltda, de Londrina, com salmão e polvo limpo. Sato também está sendo acusado de quitar taxas do Detran de veículos particulares com dinheiro público.
De acordo com o presidente da Comissão Processante, Alex Antônio Gomes de Faria (PDT), os vereadores só tiveram acesso agora aos empenhos e notas das viagens de Sato a Curitiba e a Brasília.
O vereador disse ainda que considera séria a denúncia de que a prefeitura estaria pagando taxas do Detran para várias pessoas da cidade, muitas delas idôneas. Essas pessoas podem ter sido usadas sem saber, acredita.
A outra Comissão Processante apura falta de repasse de verbas à Câmara, falta de resposta aos pedidos de informação, além de repasse, pela prefeitura, de verba para manutenção do Fórum de Uraí. Já a Comissão Especial de Inquérito investiga convênios.
O prefeito afastado disse ontem à Folha, por telefone, que teria de avaliar nota por nota fiscal para responder as denúncias. Se algo foi pago, foi em benefício da população, alegou. Ele reconheceu, porém, que pode ter bancado almoço e jantar para funcionários e autoridades. Ele disse desconhecer compra de cerveja e salmão. O prefeito afastado disse também que a carne (8,7 quilos de picanha na Casa de Carnes Tapa, de Ibiporã), serviu para para creche e centro de idoso.
Para Sato, seus adversários só querem prejudicar sua imagem. Eles invadiram a prefeitura e pegaram tudo que tinham que pegar. Se tem nota de bar, restaurante, não foi nada em benefício próprio, afirmou. Ele disse ter esperança de voltar a exercer o cargo de prefeito, ocupado há quase um mês por seu vice, Valério Remo Zanini (PDT).





