Prefeito afastado se defende em Andirá
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terça-feira, 26 de outubro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
O prefeito afastado de Andirá (36 km a oeste de Jacarezinho), Carlos Kanegussuku (PT), disse ontem que vai apresentar defesa junto ao Tribunal de Justiça (TJ) sobre seu afastamento do cargo, ocorrido no dia 21 de outubro por ação cautelar emitida pela juíza Vanessa De Biassio Mazzutti a pedido do Ministério Público (MP).
O promotor Osvaldo Luiz Simioni explicou que Kanegussuku concedeu entrevista à emissora de rádio local onde afirmou que haveria interrupção de serviços públicos. ''O afastamento foi em função da notícia passada por ele, não conseguimos saber quais serviços seriam paralisados'', completou o promotor. Ele salientou que a decisão é provisória, determinada por liminar, e que só após concluída a investigação e caso sejam constatados os indícios de irregularidade é que o prefeito perderá o cargo. ''Não tem prazo para essa decisão. O prefeito ficará afastado enquanto for necessário para a instrução do processo'', disse o promotor. O vice-prefeito, Wilson Bonacin (PDT), assumiu a prefeitura.
Kanegussuku se defendeu e disse não ter paralisado nenhum serviço em retaliação por ter perdido a eleição. Na entrevista concedida por ele ao vivo, algumas frases como ''terei que tomar medidas drásticas porque a população não valorizou o serviços que estávamos fazendo'' deram a entender que a paralisação era consequência da derrota nas urnas. ''Paralisei para me adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Todo fim de ano é normal o município passar por dificuldades por causa do 13º salário. Esse ano é pior ainda porque temos que entregar o mandato'', justificou o prefeito.
De acordo com Kanegussuku, os serviços suspensos não são essenciais. ''Alguma coisa é possível equacionar, como o Projeto Esperança'', relatou. Esse projeto, que atende 200 crianças, está entre os que pararam após as eleições. A distribuição de leite de soja produzido pela vaca mecânica e projetos da Autarquia Municipal de Esporte também foram suspensos.
Sobre a entrevista dada à rádio, o prefeito justificou que precisava ser ''realista''. ''Como perdi a eleição, eu tenho que entregar a contabilidade zerada'', completou. O prefeito disse não acreditar que tenha administrado ou calculado mal a verba para o ano de 2004. ''Você vem tentando ao máximo beneficiar a população, mas quando chega no fim do ano tem que reduzir'', concluiu.
Kanegussuku responde a ação criminal por improbidade administrativa em seu primeiro mandato (1993 a 1996). Ele teria recebido verba para a construção de 207 casas populares mas o serviço não foi finalizado. O prefeito argumentou que, em seu mandato, foram liberados apenas 10% do total de recursos destinados para a obra. ''Incutiram toda a responsabilidade para mim mas 90% do recurso foram passados em outros dois mandatos. Assinamos o convênio no fim do nosso mandato e o conjunto demorou ainda outros dois mandatos para terminar. Estou me defendo no tribunal'', esclareceu.


