A Câmara de Pérola cassou novamente ontem o prefeito de Pérola, Valdecir Cândido da Silva (sem partido). Silva estava afastado do cargo desde setembro do ano passado por ordem judicial. Também já havia sido cassado pela Câmara em janeiro, mas conseguiu anular a cassação no TJ, alegando irregularidades no processo. Silva responde a mais de 40 ações e inquéritos civis públicos abertos pelo MP para investigar denúncias de desvio de verbas, fraudes em licitações, falisificação de documentos e outras irregularidades.
A maioria das denúncias foi oferecida pelo promotor Rudi Rigo Burkle, que deixou a Comarca de Pérola este ano. A pedido do promotor, em setembro do ano passado, o juiz Frederico Mendes Júnior afastou Silva pelo prazo de 90 dias para investigar denúncias sobre o desvio de R$ 90 mil repassados pelo Estado para a construção da Casa da Cultura. A prefeitura recebeu o dinheiro, mas o projeto nem saiu do papel. O prefeito conseguiu derrubar a liminar no TJ. reassumiu o cargo num dia e no outro, foi novamente afastado por outras denúncias. Cassado em janeiro, ele anulou a cassação e chegou a reassumir o cargo, mas foi novamente afastado por outra liminar. Cada vez que Silva ameaçava retornar, os moradores faziam passeatas e protestos contra ele.
O o prazo do último afastamento, imposto dia 31 de maio, venceria dia 31 de junho. A Câmara instaurou um novo processo e ontem cassou novamente o prefeito en sessão que durou mais de quatro horas. Apenas um vereador votou contra a cassação. Além da denúncia envolvendo a Casa da Cultura, Silva é acusado de desviar verbas para construção de uma creche. O Estado repassou R$ 20 mil, mas a prefeitura não começou a obra. Silva não compareceu à sessão, nem enviou advogado. O prefeito também não dá declarações à imprensa. Desde que começaram as denúncias, limitou-se a dizer que se tratava de perseguição política e que se defenderia ‘‘na hora certa’’.
O prefeito em exercício, João Pacheco (PFL) também enfrenta problemas. os servidores estão com os salários atrasados e o Ministério Púlico exige a demissão de pelo aproximadamente 100 funcionários contratados sem concurso público. Alguns têm quase 10 anos de serviço, mas a prefeitura até agora não realizou concurso para regularizar a situação. Como a lei não permite a realização de concurso tr6es meses antes e três depois da eleição, Pacheco está sendo obrigado a dispensar o pessoal.

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