Prefeita revela coação de delegado
Edson Luiz e Félix Alberto Lima Agência Estado
A prefeita de Belágua (MA), Rosalina Costa Araújo, afirmou ontem que foi coagida moral e fisicamente pelo delegado João Batista Campelo, o novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), para depor contra o ex-padre João Antônio de Magalhães Monteiro, em 1970, quando era tabeliã na cidade de Urbano Santos (MA). Segundo Rosalina, os policiais, na frente de Campelo, diziam que iriam esbofeteá-la e um deles apertou o braço dela, tentando fazê-la confessar que Monteiro era subversivo. Rosalina contou que o atual diretor da PF, assistindo a tudo, sem nada fazer, modificou todo o depoimento para comprometer o ex-padre. Nada do que eu disse na PF estava no inquérito, afirmou a prefeita, que foi arrolada como testemunha de acusação de Monteiro.
Rosalina não gosta de falar muito sobre a prisão, ocorrida no mesmo dia que a de Monteiro. Segundo a prefeita, os policiais federais, comandados por Campelo, interceptaram o carro dela entre Urbano Santos e São Luís, obrigando-a a voltar para o município, onde o ex-padre seria preso horas depois. Monteiro estava algemado, mas em nenhum momento viu os pulsos dele feridos, como diz Campelo, afirmou Rosalina. O diretor da PF disse que os ferimentos feitos em Monteiro teriam sido causados pelas algemas. Elas estavam até frouxas, acrescenta Rosalina.
A prefeita parece esconder algo mais grave que possa ter ocorrido no interrogatório de uma hora a que foi submetida. Não gosto de lembrar disso, desconversa, alegando não se lembrar mais do que aconteceu. Entretanto, a filha Laura, de 27 anos, confirma que algo ainda permanece oculto. Como a mãe, prefere não falar, mas chora ao se lembrar do que teria acontecido. O delegado Campelo era um homem duro, grosseiro, afirma Rosalina, assegurando que, por algumas vezes, o delegado permitiu que os agentes gritassem com ela, tentando arrancar uma confissão.





