Prefeita muda lei para manter parentes
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Para contornar sentença judicial que impedia o nepotismo na administração municipal, a prefeita de São Pedro do Ivaí (62 km ao sul de Apucarana), Cristiane Bento Zulian (PMDB), conseguiu alterar a Lei Orgânica e reservar 10% dos cargos comissionados do município para seus parentes. A mudança, que foi aprovada por seis dos nove vereadores, visa manter os empregos do pai da prefeita, Luiz Bento (chefe de gabinente); do marido, Eduardo Zulian (chefe de compras); da irmã, Claudinéia Bento Camargo (secretária); do cunhado - marido de Claudinéia -, Rildo Camargo (diretor de Finanças); e do tio, Jesuíno Bento (chefe de oficina).
O dispositivo que impedia o nepotismo foi introduzido na Lei Orgânica em 1990, durante a gestão do ex-prefeito Osvaldo Agostinho Reinato - autor da denúncia no MP contra a atual prefeita. Segundo Cristiane Zulian, a soma dos salários de seus parentes é de aproximadamente R$ 6 mil por mês.
Em 18 de dezembro do ano passado, a juíza cível de Jandaia do Sul, Janes de Fátima Palazzo, concedeu liminar em Ação Popular e obrigou a prefeita a demitir seus parentes sob pena de multa diária de R$ 500. Para a juíza, além da Lei Orgânica do Município, o nepotismo contraria o princípio constitucional da impessoalidade.
Três dias após a publicação da sentença, a prefeita conseguiu a alteração da lei municipal e pediu a revogação da liminar argumentando que o nepotismo foi liberado no município. No início de 2007 o recurso foi negado pela juíza e os parentes foram exonerados.
O ex-prefeito e atual vereador, Osvaldo Agostinho Reinato (PPS), disse à FOLHA que não foi convocado para a sessão que alterou a lei: ''São Pedro era conhecida como pioneira na luta contra o nepotismo e agora mudou de lado. Se a gente não conseguir revogar essa alteração, vamos exigir um plebiscito na cidade.''
O vereador denunciou ainda eventual superfaturamento de preços em compras efetuadas pela prefeitura. ''Os parentes da prefeita lidam diretamente com os recursos da prefeitura. Já denunciei à promotoria superfaturamento na compra de medicamentos, de 527%, e de cestas básicas.''


