A não apreciação de oito projetos de lei do Executivo - entre os quais, é pedida suplementação orçamentária de R$ 1,3 milhão - gerou uma briga entre a Prefeitura e a Câmara de Vereadores de Grandes Rios que ameaça até mesmo a folha de pagamento do funcionalismo do mês que vem. ''Protesto'' nas palavras da administração, e ''retaliação'', nas do Legislativo, a troca de acusações entre os dois poderes tem feito com que, desde anteontem, parte da frota da prefeitura fique no acesso à Câmara, enquanto alunos de seis escolas das redes estadual e municipal fiquem sem o transporte escolar.
De acordo com o presidente da Câmara, Adílson Francini (PT), uma portaria teve de ser baixada ontem pela Mesa suspendendo todos os trabalhos na Casa, até a desobstrução da entrada. Conforme o vereador, a assessoria jurídica legislativa teria encontrado ''erros nas fontes de recurso'' citadas nos pedidos de suplementação constantes dos projetos.
''Há uma série de erros nas matérias: não se explica, por exemplo, de onde virá determinado recurso para suprir outro. Devolvemos e pedimos a correção, mas aí veio todo o maquinário para a rua para tentar causar um impacto na população e forçar a Câmara a aprovar R$ 1,3 milhão assim, sem embasamento'', reclamou Francini. Ontem à tarde, o vereador aguardava posicionamento da Polícia Civil e do Judiciário para remoção dos veículos da entrada da Câmara.
A prefeita Eliane Ricieri (PMDB) acusou o petista de ''obstruir a democracia'' - e desde junho, conta, quando os projetos foram remetidos à Câmara. ''Dependo dessa suplementação para fazer a folha do mês que vem, e não votar é uma retaliação'', disse. Questionada sobre as razões para não haver dinheiro em caixa para quitar a folha, a prefeita respondeu: ''Não sei te explicar; não tem dinheiro - porque a gente não tem uma previsibilidade exata de cargos na Prefeitura''.

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