‘‘Precoces’’ já foram derrubados
Aposentadoria precoce já derrubou candidatos ao governo no Paraná, como o ex-prefeito de Curitiba Saul Raiz (PFL). Aposentado com menos de 50 anos do Tribunal de Contas, Raiz teve sua candidatura detonada pelo concorrente José Richa (PSDB). O fato se repetiu em 1990.
O ex-governador Mário Pereira (PMDB) também optou por pensão-extra quando tinha 47 anos, em 94. Aposentado pelos oito meses em que ficou no comando do governo, ele demonstrou ontem ressentimento com as declarações de FHC. ‘‘Ele foi infeliz, mas também lembrou que essas aposentadorias precoces são um absurdo’’, avaliou Pereira, que defende as reformas, mesmo que atinjam seu benefício.
Pereira disse que a sua aposentadoria não é um motivo de vergonha ou de constrangimento: ‘‘Isso não é escândalo nenhum. Optei pela pensão no último dia que fiquei no governo. O errado é ter aposentadoria antes do tempo. O que faltou é regra’’.
Aposentado desde os 46 anos, o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho Ricardo Sampaio ficou indignado. ‘‘De vagabundagem Fernando Henrique tem experiência. Exilou-se no Chile, passou a receber aposentadoria da USP e nunca provou que foi perseguido’’, acusou. Para Sampaio, ‘‘todo vagabundo agora tem requisito para ser ministro ou assessor do presidente’’.
‘‘FHC misturou alhos com bugalhos e tachou de vagabundos até trabalhadores que por lei têm de se afastar de suas atividades profissionais, para não terem problemas de saúde’’, disse.
Ex-reitor da Universidade Federal do Paraná e o mais recente aposentado da instituição, Carlos Alberto Faraco disse ontem que não se surpreendeu com o ataque. ‘‘Foi infeliz. Acho um absurdo as aposentadorias precoces, mas usei do meu direito. A falta de competência dos políticos talvez seja o grande problema previdenciário’’, observou.

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