Preço do Rafale garante parceria com a França
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010
Tânia MonteiroAgência Estado 
Brasília - A redução do preço do avião Rafale, fabricado pela Dassault, era o sinal que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, precisavam para iniciar a preparação do anúncio da decisão final pela escolha do caça francês, que já havia sido tomada em setembro do ano passado, durante visita do presidente Nicolas Sarkozy ao Brasil.
O preço de US$ 8,2 bilhões para o pacote da Dassault de venda de 36 aviões Rafale para a FAB, com peças de reposição, armas e logística era considerado muito alto e o governo brasileiro exigia a diminuição do valor para poder garantir e confirmar que a França é o parceiro militar estratégico do Brasil, o que acabou acontecendo, como noticiou hoje o jornal ''Folha de S.Paulo''. De acordo com a reportagem, o preço caiu para US$ 6,2 bilhões.
Depois do Carnaval, no mais tardar no início do mês de março, o presidente Lula convocará o Conselho de Defesa Nacional para chancelar a decisão política já tomada de escolha do Rafale, por entender que ele atende às exigências que o Brasil quer para este projeto.
Na proposta entregue pela Aeronáutica ao Ministério da Defesa, em seis de janeiro, aprovada na reunião do Alto Comando de 18 de dezembro, os preços dos pacotes eram: US$ 8,2 bilhões, da Dassault, US$ 5,7 bilhões, da Boeing e US$ 4,5 bilhões da SAAB. De posse destes valores, com o pacote do Rafale considerado ainda muito alto, o governo saiu em campo para reduzi-lo.
A argumentação do governo brasileiro é que o negócio tem de ser bom e viável para os dois lados. No caso do Brasil, o preço estava sendo considerado demasiadamente alto, não só do pacote, como da manutenção pelos próximos 30 anos. Além disso, era preciso que a Dassault baixasse o preço até para o Planalto poder argumentar que este projeto é o que melhor atende à Estratégia Nacional de Defesa e a premissa de transferência de tecnologia, chancelado a decisão política já tomada.
Ontem, o ministro Jobim negou que o processo tenha sido encerrado. Desde o início, o governo tem batido que a opção norte-americana é difícil de ser concretizada porque a transferência de tecnologia não depende só da Boeing, mas também do Congresso americano. Nem mesmo a cláusula incluída na proposta dos Estados Unidos de que uma multa será paga ao governo brasileiro, caso haja algum impedimento de transferência de tecnologia, cativou a Defesa. ''Não queremos recompensas. Queremos a tecnologia irrestrita'', disse um auxiliar direto do presidente que acompanhou o processo.


