'Precisou um metalúrgico socialista para transformar esse país em capitalista'
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sábado, 31 de julho de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O aumento do crédito para a iniciativa privada e o crescimento da economia atrelado à distribuição de renda foram as armas usadas nos discursos do presidente Lula (PT) e da candidata Dilma Rousseff (PT) destinados a empresários parananeses. Como é que a gente falava que esse País era de economia capitalista, se não tinha capital, crédito, financiamento? Precisou entrar um metalúrgico socialista para transformar esse país num país capitalista, afirmou Lula, na noite de sexta-feira, em Curitiba, onde cumpria agenda extraoficial para reforçar a campanha eleitoral da correligionária e do senador Osmar Dias (PDT), candidato ao governo do Estado. Antes da crise, já tínhamos um ano e meio de PAC, gerando desenvolvimento da infraestrutura do País, disse ele.
Antes, para a plateia de empresários, a presidenciável do PT já havia reforçado os financiamentos via BNDES. Nós emprestamos sim a 30 anos, e não mais a cinco anos. Não haverá nenhum investimento de infraestrutura no País se não houver crédito de longo prazo e juros compatíveis com o risco do empreendimento, discursou Dilma.
Mas o crescimento da economia com distribuição de renda, ou seja, com a ampliação do mercado consumidor, foi o principal argumento dos petistas para tentar convencer os empresários a apostar na continuidade. Chega daquela época em que o mercado consumidor brasileiro era aquele das altas rendas que compravam bens duráveis. Isso levou crescimento para um terço da população. Dessa vez, nós crescemos incorporando milhões de pessoas. Mas, mais do que isso: houve uma preocupação para além de moral e ética com a inclusão. Houve uma percepção clara que crescer com justiça era também crescer de forma estável. Modificamos o receituário até então vigente no Brasil, que dizia que era impossível crescer e distribuir renda, continuou ela.
Como a ideia era vender a necessidade de continuidade, o presidente Lula (PT) também resolveu tentar explicar aos empresários paranaenses porque até agora não foi feita a reforma tributária no País, quase oito anos depois do início da sua primeira gestão. O petista fala que as propostas ganham um inimigo oculto quando chegam ao Congresso Nacional.
Ele destacou o envio de duas propostas de reforma tributária, uma em 2004 e outra há quase dois anos. As propostas, alega ele, tinham unanimidade entre governadores de Estado e empresários, mas não foram votadas. Quando chega lá, as forças que publicamente querem a reforma tributária, implicitamente não querem a reforma tributária. Porque cada um quer resolver o seu problema, e não o problema do País, continuou. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) organizou o encontro do presidente Lula e da candidata Dilma Rousseff com os empresários do Estado.


