'Precisamos unir o Brasil para mudá-lo'
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domingo, 01 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Brasília Instalado num gabinete do Palácio do Planalto, de onde a vista principal é o Congresso, o novo coordenador político do governo Aldo Rebelo não restringirá sua atuação aos plenários da Câmara e do Senado. O novo ministro da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a missão de conversar com o Judiciário, governadores e prefeitos. O que significa que sua agenda de trabalho inclui também a articulação da base aliada para as eleições municipais de outubro. ''Nosso pensamento é que os partidos que apoiem o governo participem unidos das eleições'', afirma.
Agência Estado O senhor é secretário e Dirceu é o ministro-chefe. Isso não deixará a articulação política em segundo plano? Significa que o governo não tem uma grande agenda parlamentar a partir de agora?
Aldo Rebelo - Não. Não há hierarquia no ministério. Todos os ministros são importantes. Mas a tarefa de coordenar cabe a um, o que é feito naturalmente em relação muito próxima com os dois líderes, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o deputado Miro Teixeira (sem partido-RJ), o que nos dá muita tranquilidade nessa atuação.
AE Como o senhor avalia a base aliada com a qual vai lidar?
Rebelo Nossa missão primeira é ampliar ainda mais a extensão da nossa base social para dar governabilidade ao presidente, a base política formada pelos governadores, prefeitos e vereadores, e a base parlamentar. Encontramos a base aliada com 170 parlamentares e chegamos a 370. Nosso pensamento é que precisamos unir o Brasil para mudá-lo. Necessitamos dessa coalizão de amplas forças sociais e políticas, econômicas, intelectuais para remover os obstáculos ao desenvolvimento brasileiro.
AE E o novo aliado, o PMDB? Já chega dividido...
Rebelo - O PMDB é uma força política social importante na história recente do Brasil. Quando você caminha as mudanças políticas do país, desde a campanha da anistia e da Constituinte, passando pela redemocratização, pela vitória de Tancredo (Neves) no Colégio Eleitoral, pelas vitórias de José Sarney e do Fernando Henrique, o PMDB sempre foi uma força importante. Em determinadas circunstâncias cumpriu o papel de equilíbrio.
AE O senhor vai se reportar ao ministro José Dirceu ou ao presidente Lula?
Rebelo - Isso quem determina é o presidente. Mas terei também que conversar diariamente, permanentemente, com o ministro José Dirceu e com quase todos os ministros...
AE - Como vai ser a articulação do seu ministério nas eleições municipais?
Rebelo - O Poder Executivo não deve ter participação nas eleições. Nosso pensamento é que os partidos que apoiam o governo participem unidos das eleições, com composições amplas.
AE O senhor vai atuar estimulando as alianças?
Rebelo No Brasil já há tradição de alianças regionais, municipais. Vamos enfrentar situações em que a base vai estar unida em um município, vai ter candidatos diferentes em outros, vai buscar alianças no segundo turno para que os candidatos que apoiam o governo saiam vitoriosos. Eu vou ter que fazer essa discussão com os dirigentes partidários, separando o que é esfera do governo daquilo que é a ação política dos partidos da base.
AE O senhor vai entrar na discussão sobre a renegociação da dívida dos estados e municípios ou ela se esgotou nas negociações da reforma tributária?
Rebelo Ainda não conversei com o ministro Antônio Palocci, nem com o ministro José Dirceu, ou com o presidente sobre as reivindicações dos governadores, mas tenho conhecimento delas. O que posso adiantar é que nessas questões, temos que abrir nosso coração para os governadores, para, com toda generosidade discutir as questões deles, mas também com o mesmo rigor, defender os cofres e o Tesouro do País.
AE - O ministro Dirceu é conhecido por sua personalidade forte. O senhor poderá trabalhar amplamente com a articulação política estando ao lado daquele que é considerado o homem mais poderoso da República depois do presidente?
Rebelo Eu me sentiria mais inseguro se fosse para trabalhar com uma personalidade fraca. Acho que a personalidade forte não impede que as pessoas convivam, trabalhem e se respeitem.


