Curitiba - Eleito para assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara Federal, após a conturbada gestão de Marco Feliciano (PSC-SP), o paranaense Assis do Couto (PT) disse, em entrevista à FOLHA, que seu primeiro desafio será retirar do colegiado a visão "estreita e conservadora" predominante em 2013. Em disputa apertada na última quarta-feira, o parlamentar recebeu 10 votos, contra 8 de Jair Bolsonaro (PP-RJ). Natural de Santo Antônio do Sudoeste, ele tem 52 anos, é agricultor familiar e está em seu terceiro mandato consecutivo.
"Precisamos restabelecer o compromisso e a missão da comissão, que ficaram comprometidos na gestão passada. Estamos vendo crescer a cultura da violência no Brasil, com os movimentos ditos justiceiros, perigosos. Será um ano de grandes mobilizações, de eventos como a Copa do Mundo, e temos de trabalhar com a cultura de paz e de respeito às diferenças", afirmou.
Entre as prioridades da nova presidência, segundo ele, estão questões como reforma agrária, conflitos no campo, segurança e soberania alimentar, direitos das mulheres, dos indígenas e das pessoas com deficiência. O paranaense contou, ainda, que o colegiado poderá discutir a regulamentação dos protestos, sem interferir, contudo, "no direito legítimo das pessoas se mobilizarem".
De formação católica e atuação pautada pela defesa da agricultura familiar, Assis do Couto foi alvo de críticas por parte da comunidade LGBT (de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), mais simpática a nomes como os de Erika Kokay (PT-DF) e Nilmário Miranda (PT-MG), o último escolhido para a vice-presidência do grupo. No entanto, garantiu que estará aberto ao diálogo com todos os setores da sociedade.
"Algumas questões são de foro íntimo. Tenho um posicionamento pessoal em relação ao aborto, por exemplo: não sou a favor da abertura indiscriminada. Mas, como homem público, não posso fechar os olhos para o debate." De acordo com o petista, que integra a "Frente Mista em Defesa da Vida", ignorar tal questão seria "tampar o sol com a peneira". "Até porque, estamos num Estado laico", completou.
Em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que muda as regras de demarcação de terras indígenas, o deputado declarou que compartilha da mesma posição de seu partido. "O tema indígena nos choca profundamente. São inúmeros os problemas; uma marginalização muito cruel. Mas acredito que a PEC não é o caminho nesse momento", discursou.
Segundo o parlamentar, caso seja aprovada, a matéria poderia incitar "uma enorme situação de violência no País". "Tenho dialogado com os membros da comissão especial (responsável pela análise do tema) e torço para que eles encontrem uma alternativa, outro caminho que restabeleça a justiça para os povos indígenas, mas também para os produtores e a população de agricultura familiar."

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