O superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, José Aníbal Petráglia, colocou o seu cargo à disposição do governador Jaime Lerner e do novo secretário dos Transportes, Heinz Herwig, ontem. ‘‘Quero deixá-los à vontade para tomar as decisões. O governador é o dono dos cargos’’, declarou o superintendente, um dos alvos na ‘mexida’ da Pasta, que até agora se restringe à mudança no comando do DER.
Petráglia diz que ainda não foi comunicado dos planos do novo secretário. Mas já planeja o seu futuro profissional. Integrante da Marinha (Reserva Capitão de Fragata), o irmão do empresário Mário Celso Petráglia, pretende - se confirmado seu afastamento do governo - trabalhar e voltar a estudar ou nos Estados Unidos ou num dos países da Europa. ‘‘Todo estudo aprofundado é importante’’, justifica.
O superintendente aguardava, ontem, informações sobre a conversa de Herwig com o governador Jaime Lerner, no Palácio Iguaçu. ‘‘Entendo que o novo secretário precisa se cercar de pessoas de sua confiança. Eu, quando assumi, não gozei deste direito’’, avalia o superintendente, ao lembrar que os seus diretores foram nomeados por indicações políticas.
Duas denúncias tornadas públicas ontem e que envolvem diretamente a administração de Petráglia - uma feita por Schwartz, que trata da falsificação da assinatura do governador num contrato entre a APPA e a Mendes Júnior Engenharia S.A.; e a outra que diz respeito à ausência de processo licitatório nos serviços de remoção dos destroços do guindaste Amazonas, afundado em novembro do ano passado - estariam em jogo na decisão do governador.
O superintendente se defende. Diz que não apurou a falsidade de assinatura porque não era da sua competência. ‘‘Foi um episódio que ocorreu no Ministério dos Transportes’’, desconversa. Quanto aos R$ 545 mil que serão gastos com a remoção do guindaste, Petráglia diz que as empresas que ofereciam o serviço por preço menor pretendiam ignorar a licitação. ‘‘Pela urgência do assunto, tomei as medidas legais’’, afirma.
Petráglia não acredita que haja um ‘‘complô’’ para o seu afastamento do cargo. Mas avalia que, durante a sua gestão, foi pressionado por diversos setores. ‘‘Quando você está decidido a modernizar um porto, você tem de estar preparado para tudo’’, observa o superintendente, emendando que ‘‘existem muitos interesses em jogo’’.
Segundo ele, os descontentamentos cresceram quando adotou uma política de cortes de pessoal. ‘‘Reduzi de 3.400 para 780 o número de funcionários, o que representou uma diminuição da folha de pagamento, que hoje é de cerca de R$ 2,7 milhões ao mês’’, informou. (L.D.)

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