Brasília - A defesa de pontos cruciais da agenda da indústria acabou igualando os três pré-candidatos à Presidência da República na avaliação de empresários que estiveram presentes ao encontro promovido ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
''Têm muitos pontos comuns na espinha dorsal e as divergências são de procedimentos e prioridades'', avaliou Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).
Os três pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto apresentaram ontem, durante encontro na sede da CNI, suas principais propostas de governo.
A CNI, que realiza esse tipo de encontro desde 1998, propôs aos pré-candidatos, uma discussão em torno do documento ''A Indústria e o Brasil - Uma Agenda para o Crescimento'', no qual expõe as perspectivas do setor para os próximos anos.
Reforma tributária, redução de encargos trabalhistas, manutenção das políticas de juros, câmbio e inflação foram algumas das promessas feitas por Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) durante o evento. Em sintonia com as reivindicações da plateia, a impressão de igualdade entre os três pré-candidatos acabou imperando.
''Todos estão colocando o desenvolvimento sustentado como prioridade, a responsabilidade fiscal, a responsabilidade com o cumprimento de contratos, com o cumprimento de regras. Isso é que faz a espinha dorsal de um país que está amadurecendo'', afirmou Godoy.
Nem mesmo a falta de detalhes sobre como cada um pretende conduzir temas sensíveis para a economia suscitou maiores preocupações. Horácio Lafer Piva, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirmou que se os pré-candidatos deixarem de lado a ''conversa fácil'' sobre temas como a reforma tributária, a campanha terá mais conteúdo.
''É preciso dar um desconto porque eles não estão ainda com os programas prontos'', ponderou. ''Você paga um preço por fazer debate tão cedo. O preço é ainda não ter nada definitivo.'' Para Lafer, o discurso de Dilma foi muito centrado nos resultados obtidos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No caso do ex-governador Serra, o perfil adotado foi mais técnico, enquanto a senadora Marina buscou o caminho emocional.
''Serra tem muita substância do ponto de vista técnico. A Dilma apresenta uma agenda que tem feito sucesso neste governo e a Marina mobiliza pelo ponto de vista ético'', disse Lafer. ''Dado o fato de ser o primeiro debate, os três se saíram bem.''
Equilíbrio
Paulo Godoy, por sua vez, acredita que o equilíbrio de posições assegura que a transição de governo se dará sem turbulência. ''Vamos passar por um processo de alternância de poder não mais com aqueles sustos'', disse. ''Essa transição política é uma das provas que o Brasil tem de oferecer para mostrarmos que somos um País maduro para receber investimento de longo prazo, aporte de recursos maiores ainda''.

mockup