Pré-candidatos à Presidência começam a definir vices para o pleito de outubro
Somente três dos presidenciáveis já escolheram seus companheiros de chapa; Flávio Bolsonaro ainda não definiu com quem vai concorrer
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sexta-feira, 03 de julho de 2026
Somente três dos presidenciáveis já escolheram seus companheiros de chapa; Flávio Bolsonaro ainda não definiu com quem vai concorrer

Brasília - Faltando pouco mais de três meses para as eleições presidenciais de outubro, os partidos políticos aceleram o passo para consolidar suas alianças antes do prazo final das convenções, que acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto. Os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Até o momento, o cenário conta com mais de uma dezena de pré-candidaturas anunciadas que pretendem disputar o Palácio do Planalto e conquistar o voto de 158.765.543 eleitores aptos a votar, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O jogo de xadrez para a escolha dos candidatos a vice-presidente - crucial para a ampliação de palanques regionais e atração do eleitorado moderado — ainda mostra muitas indefinições.
Apenas três das principais forças políticas do país já bateram o martelo ou encaminharam de forma definitiva os nomes que ocuparão a vaga de vice.
ALCKMIN MANTIDO
Buscando a reeleição para o seu quarto mandato presidencial, o presidente o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repete a dobradinha com Geraldo Alckmin (PSB) que venceu o pleito anterior. A manutenção da aliança foi confirmada no final de março pelo próprio mandatário.
Geraldo Alckmin, 73 anos, é médico e um dos nomes mais tradicionais do centro político brasileiro. Foi um dos fundadores do PSDB, partido pelo qual governou o estado de São Paulo por quatro mandatos e disputou a Presidência em 2006 e 2018. Em 2022, migrou para o PSB para compor a chapa com o petista.
Para viabilizar sua permanência na chapa, Alckmin deixou formalmente o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na reforma ministerial exigida pelos prazos de desincompatibilização eleitoral da Justiça Eleitoral.
KASSAB VICE DE CAIADO
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) apresenta uma candidatura competitiva no campo da centro-direita, apostando fortemente nas bandeiras do agronegócio e da segurança pública. O político optou por uma "chapa pura" dentro de sua legenda escolhendo o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab.
Kassab, 64 anos, é engenheiro, economista e o principal articulador político do PSD. Figura central nos bastidores do poder, Kassab tem trânsito tanto na esquerda quanto na direita. Já foi prefeito de São Paulo, deputado federal e ministro de Estado nos governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Deixou em março o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para poder se candidatar nas eleições de outubro.
DOBRADINHA NO MISSÃO
Uma das novidades do pleito é o partido Missão, criado recentemente por egressos do Movimento Brasil Livre (MBL). A legenda lançou o ativista Renan Santos, 42, ao Planalto com uma chapa interna já fechada. O vice é Aroldo Medina, conhecido como Tenente-Coronel Medina, que é militar da reserva. Medina não ocupa cargo político ou eletivo atualmente, fazendo sua estreia na disputa por cargos do Executivo Federal pela nova sigla.
PL DEVE ESCOLHER UMA MULHER
A grande maioria dos postulantes ao Palácio do Planalto ainda mantém as vagas de vice em aberto, utilizando o espaço para negociar coalizões partidárias e tempo de televisão até agosto:
Principal nome da direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45, mantém o mistério sobre quem ocupará a vice, embora nomes de aliadas fiéis, como a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), estejam no radar de especulações. A tendência é que seja uma mulher mesmo para aplacar a crise desencadeada nos últimos dias com a madrasta Michelle Bolsonaro, mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A racha público culminou com a saída de Michelle do PL Mulher. Em vídeo nas redes sociais, o mulher de Jair Bolsonaro disse ter sido "humilhada" por Flávio. O estopim do conflito entre os dois líderes do PL ocorreu motivado por divergências de estratégia eleitoral no Ceará. Michelle acusou publicamente o enteado de tê-la "humilhado e maltratado" de forma ríspida durante um telefonema sobre as alianças locais.
Em resposta, Flávio postou uma live na segunda-feira (29) durante o jogo Brasil x Japão pela fase 16 avos da Copa do Mundo: "Hoje é dia de jogo e hoje, nada nem ninguém me aborrece". Durante encontros partidários e agendas ligadas a lideranças do PL Mulher na quarta-feira (1º), Flávio manifestou desconforto com a repercussão do caso, mas subiu o tom em relação às investidas recentes de Michelle nas redes sociais, classificando-a como "desinformada". Mais tarde, o senador procurou amenizar a crise familiar. "Ela é esposa do meu pai. Respeito demais a Michelle. E eu tenho a convicção de que a gente vai superar mais esse momento difícil", afirmou.
OUTROS PARTIDOS
Romeu Zema (Novo) deixou o governo de Minas Gerais para focar integralmente na construção de sua campanha presidencial de viés liberal. O partido Novo busca fechar alianças com outras siglas de centro-direita antes de anunciar o vice.
O ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) , celebrado por sua atuação no julgamento do Mensalão, tenta se consolidar como uma via alternativa pelo Democracia Cristã. A sigla estuda nomes técnicos e políticos para compor a chapa.
O médico psiquiatra e escritor de livros de desenvolvimento pessoal Augusto Cury (Avante) faz sua estreia na política institucional com o discurso de quebrar a polarização nacional. Seu vice segue indefinido.
Cabo Daciolo (Mobiliza), bombeiro militar e ex-deputado federal, tenta novamente o Planalto repetindo o estilo de campanha focado em pautas religiosas e nacionalistas.
No campo da esquerda e da extrema-esquerda, partidos que defendem plataformas programáticas de oposição ao modelo econômico atual também lançaram nomes próprios e definem seus vices nas convenções internas: Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB).
As movimentações de bastidores tendem a se intensificar drasticamente nas próximas semanas, quando o início oficial das convenções partidárias forçará os candidatos a registrarem suas chapas definitivas no TSE.
As Eleições de 2026 estão marcadas para o dia 4 de outubro, quando eleitoras e eleitores vão às urnas para eleger ocupantes dos cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais, no caso do Distrito Federal. O 2º turno do pleito está marcado para o dia 25 de outubro.


Da Redação
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