Presidente do Missão e um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos, pré-candidato à Presidência da República, afirma que a nova legenda deverá se apresentar ao eleitor com um discurso voltado à lei e ordem, ao combate à corrupção e à soberania nacional, mas sem ficar presa a dogmas. Segundo ele, o Brasil “é um país muito complexo, com realidades diferentes” e, por isso, exige “remédios diferentes para problemas diferentes”.

Apesar de caminhar para sua primeira eleição, o pré-candidato lembra que atua há anos como liderança nacional do MBL e cita a participação no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e na oposição ao bolsonarismo.

Em entrevista à FOLHA, Santos diz que o partido está disposto a adotar experiências internacionais sem compromisso com modelos fechados. “Se teve um negócio no Vietnã que funcionou, traz do Vietnã; na Coreia do Sul funcionou, traz da Coreia do Sul; funcionou na Índia, vem”, afirmou. Segundo ele, “a gente pode ser enquadrado à direita”, mas “não é dogmático”.

No campo das propostas, o pré-candidato sustenta que o Brasil vive uma crise profunda de autoridade e defende medidas duras na segurança pública. Para ele, o país precisa priorizar uma agenda de “lei e ordem” antes mesmo de outras frentes, como a educação. “Nós temos hoje uma cultura de violência e essa cultura de violência não vai ser aplacada, infelizmente, com educação ou campanhas na televisão. Vai ter que ter lei e ordem”, declarou.

Uma das ideias citadas por Santos é a implantação do estado de defesa para retomar o controle de territórios ocupados por facções criminosas. “Eu acho que o presidente da República tem que ter senso de urgência”, acrescentou, ao afirmar que considera inaceitável a convivência naturalizada com milícias e facções em partes do país.

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Na área administrativa, Renan acredita que o Brasil precisa de um “governo emergencial” capaz de promover um “freio de arrumação” no Estado. Entre as críticas feitas por ele está o modelo de distribuição de recursos públicos, que, em sua visão, distorce as funções de prefeitos e parlamentares.

“O Brasil é um Estado que não faz sentido. O Brasil é um lugar em que um prefeito tem como função administrar a emenda de um deputado, e a função do deputado é executar um orçamento do Poder Executivo. Nada disso faz sentido”, criticou Santos, que avalia que esse arranjo esvazia o papel institucional de cada agente político e favorece o fisiologismo.

Santos também criticou a reforma tributária. Embora reconheça que a ideia de um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) não seja, em si, equivocada, ele sustenta que o modelo aprovado resultará em carga elevada para a indústria, o comércio e os serviços.

“É um sistema mais eficaz de arrecadação, apenas isso. As pessoas vão tomar um susto com o tamanho das alíquotas", apontou.

ONDE CRESCER?

As pesquisas eleitorais têm mostrado um crescimento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), ainda em um cenário de polarização com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deverá tentar a reeleição. Questionado sobre como encontrar espaço nessa disputa, Santos lembra da parcela de eleitores que não se identifica nem com Lula nem com o bolsonarismo.

“Eu ainda não apareci para esse eleitor. Esse eleitor ainda vai entrar em campo. O que a gente vê nas pesquisas é um recall de 2022”, pontuou o pré-candidato, que se diz mais radical que Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Eu vou muito mais na razão do problema do que eles. Eu estou propondo coisas que vão alterar o estado brasileiro fundamentalmente para as próximas décadas.”

O pré-candidato garante que sua pré-candidatura “é para valer” e descarta apoiar outro nome na disputa presidencial. Segundo Santos, a criação do Missão exigiu um esforço grande de mobilização nacional e não faria sentido montar um partido para abrir mão de protagonismo logo na primeira eleição.

De acordo com Santos, o desempenho do partido em 2026 dependerá de “o time crescer, apresentar as ideias” e convencer “uma parte importante da sociedade dessas ideias”. Ele evitou projetar, por exemplo, o tamanho da bancada de deputados federais e afirmou que qualquer estimativa, neste momento, seria “um número aleatório”.

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