Brasília - Em tratamento contra um câncer de laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou ontem de cerimônia de despedida de Fernando Haddad do Ministério da Educação. Haddad deixa o governo para concorrer à Prefeitura de São Paulo. Ele foi ministro da Educação de Lula por cinco anos e permaneceu no gestão de Dilma Rousseff a pedido do ex-presidente.
De terno e chapéu preto, Lula desceu a rampa do salão nobre do Palácio do Planalto de braços dados com Dilma. Foi recebido pelos convidados de Haddad e de Aloizio Mercadante, que assume o MEC, com o coro ''Olê, olê, olê, olá, Lula''. Sentou, tirou o chapéu e foi aplaudido de pé. Mercadante, que estava no Ministério da Ciência e Tecnologia, dá lugar a Marco Antônio Raupp.
Antes de participar da cerimônia, Lula fez uma sessão de radioterapia, pela manhã, em São Paulo. Chegou a Brasília de jatinho, acompanhado do assessor e ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Luiz Dulci. Lula chegou ao Planalto pela garagem e foi recebido por Dilma e servidores. Tirou fotos e, em seguida, se reuniu com a presidente no gabinete.
Esta é a segunda vez que Lula retorna ao Palácio desde que deixou o poder em 1º de janeiro de 2011. Ele participou, em março do ano passado, do velório de seu vice José Alencar.
Haddad
Em seu discurso de despedida do Ministério da Educação ontem, Fernando Haddad evitou tocar em temas delicados de sua gestão e optou por enaltecer o ''legado'' dos governos de Lula e Dilma Rousseff. Em uma fala na qual embargou a voz por duas vezes, Haddad não falou sobre Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) nem fez referência ao seu novo desafio político que é concorrer à Prefeitura de São Paulo. Ele chegou a dizer que resistiu em sair do ministério. ''Deixo o ministério relutante porque é apaixonante.''
Em vez de críticas ou defesas, ele apostou em uma série de agradecimentos a sua equipe, a integrantes do governo, ao Congresso e aos acadêmicos. Haddad chegou a dizer que ao longo de seus seis anos e meio no ministério foi possível reescrever a Constituição, com apoio dos congressistas, no capítulo referente à Educação ''de cima a baixo''.
Para ele, nos últimos anos, houve uma verdadeira mudança na concepção do que era educação. Disse que o Brasil é o único país a ter atualmente um plano de metas tanto quantitativa e também qualitativa para o setor. O ministro exaltou seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao declarar que era uma honra trabalhar no governo de um metalúrgico. ''E falo isso como professor universitário.''
No final, Haddad enalteceu o seu sucessor, Aloizio Mercadante. ''Sob sua condução a educação vai avançar ainda mais. E eu vou estar acompanhando lá na minha cidade.''

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