Curitiba - O racha do DEM em torno dos apoios aos nomes de Osmar Dias (PDT) e Beto Richa (PSDB) ao governo do Paraná em 2010 ganhou mais um capítulo ontem. A maioria dos membros da bancada de deputados estaduais do DEM assinou um manifesto a favor da aliança com os tucanos para o pleito do próximo ano. O documento é a primeira reação oficial contra o pré-acordo que o presidente do DEM no Paraná, deputado federal Abelardo Lupion, fez com o PDT de Osmar Dias, com o ''aval'' do presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia.
Assinado por Nelson Justus, Durval Amaral, Osmar Bertoldi e Plauto Miró, o texto do manifesto destaca a ''parceria histórica com o PSDB'' e que os ideais do DEM devem estar ''acima de quaisquer projetos individuais''. O recado é direto a Lupion que, segundo os deputados estaduais, teria priorizado sua candidatura ao Senado, assegurada numa chapa encabeçada por Osmar Dias. ''A gente compreende e respeita a posição do Lupion, que tem relações estreitas com o agronegócio, assim como Osmar Dias. Mas, como presidente do partido, ele tem que ouvir o conjunto das forças. Não existe possibilidade da bancada não ser ouvida'', afirmou Durval Amaral.
Para Durval, a aliança com o PSDB é ''natural''. ''Estranho seria a gente coligar com quem não faz oposição ao governo federal. Respeito o presidente nacional do DEM, o Rodrigo Maia, mas duvido que ele fique no mesmo palanque que a Dilma Rousseff'', alfinetou ele, em referência à aproximação de Osmar com o PT.
Em entrevista ontem à FOLHA, por telefone, Lupion disse que na próxima semana deve ocorrer uma reunião entre todos para estabelecer um ''acordo de procedimentos'' e ''colocar a casa em ordem''. ''Não posso impedi-los de apoiar Beto Richa, assim como eles não podem me impedir de apoiar o Osmar Dias. O grande medo de todos é que o Osmar faça uma aliança com o PT. Aí de fato fica complicado para nós. Então, acho que precisamos trazer ele para nós. Foi graças ao meu pré-acordo que ele não foi para o PT, isso é política. O Osmar não pode se sentir abandonado'', afirmou.
Lupion nega ainda que tenha priorizado seus interesses individuais ao defender a aliança com o PDT: ''Não é verdade. Sem o partido eu não sou senador. Não posso ter o partido rachado. Sempre fui um homem de grupo''.
O único membro da bancada estadual que preferiu não assinar o manifesto foi Élio Rusch, e justifica que sua posição é ''buscar um entendimento entre todos''. Ele acredita na continuação da aliança que respaldou Osmar em 2006 na disputa ao governo do Estado, e que também reelegeu Beto à Prefeitura de Curitiba no ano passado. A aliança reúne o DEM a siglas como o PSDB, PDT, PPS e PP.

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