Praczyk é alvo de nova denúncia por contratação de fantasma
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segunda-feira, 01 de agosto de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba O presidente do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Pastor Edson Praczyk (PRB), é alvo de nova denúncia do Ministério Público (MP) por contratação de funcionários "fantasmas". Segundo a peça, de 26 de julho, o político, sua esposa, Rosaria Tobias Praczyk, e uma ex-funcionária, Micheli Borges da Silva, embolsaram partes ou, em alguns casos, até a integralidade, dos salários de pelo menos 22 pessoas contratadas pelo gabinete entre 2000 e 2004. Entre elas estaria o ex-vereador de Curitiba Valdemir Manoel Soares, que também é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
As promotoras Danielle Gonçalves Thomé e Daniela Saviani Lemos, que assinam a petição, pedem a indisponibilidade de bens e a condenação dos réus por improbidade administrativa, além do pagamento das custas processuais, estimadas em R$ 20 milhões. Ambas se baseiam no depoimento de Andrea Balassa da Silva, que entregou à Promotoria uma carta escrita de próprio punho, narrando as supostas irregularidades. A ex-telefonista e recepcionista do parlamentar contou que repassava uma quantia dos vencimentos que recebia a Rosária, mesmo depois de sair do gabinete. "(Ela) mandou uma senha para eu cadastrar no banco. Aí tive que entregar o cartão e senha", escreveu Andrea.
Para o MP, as informações atestam a criação de um esquema, cujo objetivo seria desviar recursos oriundos da AL, através da indicação, nomeação e inclusão de servidores que, embora estivessem na folha de pagamento, jamais exerceram qualquer atividade na Casa. "A auditoria do Ministério Público percebeu na movimentação financeira que todos os créditos da conta [de Andrea] vieram dos pagamentos da Assembleia, havendo ainda [o depósito de uma] uma restituição de Imposto de Renda. Já a movimentação devedora foi constituída de saques vultosos para os valores envolvidos, comportamento considerado estranho para uma conta-corrente de pagamento, da qual, o esperado, é que apresentassem vários pequenos débitos", diz trecho.
O presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), defendeu o afastamento de Praczyk do Conselho. "Eu vou conversar com o deputado, vou aconselhá-lo a quem sabe abrir mão de estar no Conselho de Ética, poque é uma denúncia contra a sua própria pessoa e, para a sua isenção, é melhor que esteja distante. Mas não tenho nenhuma posição ainda clara em relação a isso. Não conheço o teor da denúncia." O parlamentar responde a outras duas investigações relativas a "fantasmas", uma por ter usado documentos de uma fiel da IURD para contratá-la na AL e outra por ter recebido valores de esposas de pastores da igreja, que também constavam na folha do gabinete.
Procurado pela FOLHA durante e após a sessão de ontem, Praczyk informou que se pronunciaria somente por meio de sua página na internet. Seus advogados emitiram nota, dizendo que não foram notificados nem citados para responder a qualquer demanda existente junto à Vara da Fazenda Pública da capital. Em relação a Andrea, alegaram que ela havia ingressado em 2006 com demanda cível em face do parlamentar, demanda julgada improcedente.


