Curitiba - O Paraná será um dos três primeiros estados a contar com uma vara da Justiça Federal especializada no julgamento de crimes de lavagem de dinheiro. De acordo com o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, as varas especializadas devem começar seus trabalhos a partir de junho em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.
Para o ministro, a lavagem de dinheiro é a principal forma de sustentação do crime organizado. Naves acredita que a falta de preparo dos magistrados na questão tem facilitado a atuação dos criminosos nos Estados. ''O objetivo da medida é dar condições de trabalho aos juízes responsáveis pelos processos. Eles vão estar aparelhados e vão contar com assessores especializados. É importante que o Ministério Público e a Polícia Federal também tenham esta infra-estrutura'', ressaltou Naves através de sua assessoria.
Um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Justiça apontou o Paraná, juntamente com São Paulo e Rio de Janeiro, como sendo um dos principais focos da lavagem de dinheiro no País. O conselho decidiu então montar um plano para a capacitação técnica dos juízes que irão lidar com a matéria. Segundo a assessoria do STJ, não será alterado o número de varas federais existentes nas três capitais. Uma vara existente em cada cidade será adaptada, voltando seus trabalhos mais especificamente para o julgamento de ações criminais por lavagem de dinheiro.
A inclusão do Paraná na lista dos estados que terão uma vara especializada para o assunto foi influenciada por denúncias, ainda sob investigação, de que até R$ 30 bilhões teriam sido enviados ilegalmente para o exterior através de agências do Banestado em Foz do Iguaçu. O dinheiro teria sido remetido para uma filial do banco no Paraguai, o Banco del Paraná, seguindo depois para a agência do Banestado em Nova York de onde era repassado para paraísos fiscais.
De acordo com a assessoria do TJ, até hoje apenas duas ações referentes à lavagem de dinheiro tramitam no País uma em São Paulo e outra em Mato Grosso. Na maioria dos estados, os processos ainda estão na fase de coleta de dados para oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF). Só no Paraná, cerca de 200 denúncias no MPF relativas ao Banestado aguardam um pronunciamento do Tribunal Regional Federal (TRF), com sede em Porto Alegre, para que possam ser encaminhados à Justiça.
Os procuradores do MPF em Curitiba e em Foz não se entendem a respeito de qual grupo teria a competência para proceder a investigação das denúncias, uma vez que apesar da agência de Foz ser uma das mais ativas na remessa de dinheiro para o exterior, a matriz do banco funcionava em Curitiba.
No Paraná, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembléia Legislativa para apurar irregularidades no caso também investiga o tema. Amanhã, o ex-diretor do Banco Del Paraná Alceu Carlor Preisner prestará depoimento aos deputados.

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