O Paraná recebeu apenas 45,8% dos recursos previstos no orçamento da União para 1997. A constatação é do deputado federal Paulo Bernardo (PT), que concluiu levantamento demonstrando que, no ano passado, o Paraná tinha garantido R$ 367,8 milhões - dos quais apenas R$ 168,5 milhões foram executados para investimentos. Bernardo diz que o resultado reflete a desunião da bancada e também dos outros setores interessados no desenvolvimento do Estado como o governo e a classe empresarial.
‘‘A bancada tem ensaiado manter um trabalho constante. Mas não consegue. Namora, namora, mas não casa’’, ironiza. Bernardo, que é membro da comissão de orçamento da Câmara, prega o aproveitamento do potencial da bancada pelo governo. ‘‘O governo deveria estabelecer metas, comunicá-las à bancada e organizar um trabalho conjunto. Como eles não fazem isso, os deputados fazem por conta, disputam espaço e fica aquela ciumeira’’, assume.
Ele defende um acompanhamento constante dos projetos e recursos para investimentos aos quais o Estado têm direito para garantir resultados: as verbas. No ranking dos 27 estados e o Distrito Federal, o Paraná é o 10º em percentual de liberação de recursos (com 45,8%), perdendo para o Rio de Janeiro, Pernambuco, Tocantins, São Paulo, Piauí, Santa Catarina, Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Sul. ‘‘Com certeza, um lobby melhor daria resultados melhores e ainda dá tempo de fazer este trabalho’’, aposta.
Bernardo se refere aos restos a pagar, que ‘‘teoricamente podem ser liberados’’. ‘‘Se houver um esforço concentrado certamente esse dinheiro pode chegar’’, acredita. Faltam ser liberados R$ 251 milhões.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), disse que o governo federal tem feito ‘‘um grande esforço’’ para cumprir a parte dele no repasse dos recursos orçamentários. ‘‘Mas não dá para cumprir cem por cento porque ele (o governo) precisa pagar a folha, os encargos, a dívida e o custeio. O que sobra vai para investimento. E o governo paga o que pode’’, admite.
Ao contrário de Bernardo, Hauly acredita que a bancada faz - e bem - a parte dela. ‘‘Conseguimos elevar o orçamento do Paraná. Quem não faz direito é o governo do Estado, que promete, não honra e acaba caindo em descrédito, desestimulando o trabalho conjunto’’, alfineta Hauly, referindo-se ao descumprimento do acordo firmado entre deputados e o governo no final de 96. Pelo acordo, os deputados abriram mão de suas emendas individuais em favor do Estado, com o comprometimento de Lerner de executar as emendas estaduais referentes às regiões de origem dos deputados federais. O ‘pacto’ não vingou. Lerner alegou que só liberaria recursos se a União repassasse a parte dela.
‘‘O governo do Estado desestimulou essa união, que poderia estar em pé independente da condição política’’. Hauly, no entanto, diz ainda ter esperança de ter recursos liberados através de suas emendas. ‘‘E o dinheiro que veio para o Paraná para cursos, merenda escolar, para a Ponte de Guaíra o governo não divulga’’, acusa.
O coordenador da bancada do Paraná, deputado José Borba (PTB), assume que o trabalho da bancada poderia ser ampliado se o governo do Estado participasse mais das definições de prioridades. ‘‘O governador teria de vir aqui, sentar com os deputados e definir as prioridades. Às vezes falta humildade’’, alfineta. ‘‘Não é à toa que aquele velho ditado popular diz que a união faz a força’’, emenda.

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