PR recebe só 45,8% dos recursos do Orçamento
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Patrícia Zanin Londrina 
O Paraná recebeu apenas 45,8% dos recursos previstos no orçamento da União para 1997. A constatação é do deputado federal Paulo Bernardo (PT), que concluiu levantamento demonstrando que, no ano passado, o Paraná tinha garantido R$ 367,8 milhões - dos quais apenas R$ 168,5 milhões foram executados para investimentos. Bernardo diz que o resultado reflete a desunião da bancada e também dos outros setores interessados no desenvolvimento do Estado como o governo e a classe empresarial.
A bancada tem ensaiado manter um trabalho constante. Mas não consegue. Namora, namora, mas não casa, ironiza. Bernardo, que é membro da comissão de orçamento da Câmara, prega o aproveitamento do potencial da bancada pelo governo. O governo deveria estabelecer metas, comunicá-las à bancada e organizar um trabalho conjunto. Como eles não fazem isso, os deputados fazem por conta, disputam espaço e fica aquela ciumeira, assume.
Ele defende um acompanhamento constante dos projetos e recursos para investimentos aos quais o Estado têm direito para garantir resultados: as verbas. No ranking dos 27 estados e o Distrito Federal, o Paraná é o 10º em percentual de liberação de recursos (com 45,8%), perdendo para o Rio de Janeiro, Pernambuco, Tocantins, São Paulo, Piauí, Santa Catarina, Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Sul. Com certeza, um lobby melhor daria resultados melhores e ainda dá tempo de fazer este trabalho, aposta.
Bernardo se refere aos restos a pagar, que teoricamente podem ser liberados. Se houver um esforço concentrado certamente esse dinheiro pode chegar, acredita. Faltam ser liberados R$ 251 milhões.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), disse que o governo federal tem feito um grande esforço para cumprir a parte dele no repasse dos recursos orçamentários. Mas não dá para cumprir cem por cento porque ele (o governo) precisa pagar a folha, os encargos, a dívida e o custeio. O que sobra vai para investimento. E o governo paga o que pode, admite.
Ao contrário de Bernardo, Hauly acredita que a bancada faz - e bem - a parte dela. Conseguimos elevar o orçamento do Paraná. Quem não faz direito é o governo do Estado, que promete, não honra e acaba caindo em descrédito, desestimulando o trabalho conjunto, alfineta Hauly, referindo-se ao descumprimento do acordo firmado entre deputados e o governo no final de 96. Pelo acordo, os deputados abriram mão de suas emendas individuais em favor do Estado, com o comprometimento de Lerner de executar as emendas estaduais referentes às regiões de origem dos deputados federais. O pacto não vingou. Lerner alegou que só liberaria recursos se a União repassasse a parte dela.
O governo do Estado desestimulou essa união, que poderia estar em pé independente da condição política. Hauly, no entanto, diz ainda ter esperança de ter recursos liberados através de suas emendas. E o dinheiro que veio para o Paraná para cursos, merenda escolar, para a Ponte de Guaíra o governo não divulga, acusa.
O coordenador da bancada do Paraná, deputado José Borba (PTB), assume que o trabalho da bancada poderia ser ampliado se o governo do Estado participasse mais das definições de prioridades. O governador teria de vir aqui, sentar com os deputados e definir as prioridades. Às vezes falta humildade, alfineta. Não é à toa que aquele velho ditado popular diz que a união faz a força, emenda.


