O Partido Republicano (PR) acompanha com preocupação o desenrolar das denúncias que pesam sobre o representante mais comentado da legenda no Paraná atualmente, o vereador Orlando Bonilha. O secretário-geral do PR-PR, João Barbiero, disse que a Executiva estadual do partido quer se reunir com o vereador no máximo até sexta-feira. ''Está na hora de darmos um norte a isso'', sentenciou.
Alvo de três denúncias criminais desde o início do ano - em uma delas já é reú - e na iminência de sofrer um processo de cassação, Bonilha não apareceu nas duas últimas duas sessões da Câmara de Vereadores de Londrina. Ontem de manhã, passou por seu gabinete, mas não quis falar com a imprensa. Sua presença na Casa hoje à tarde é aguardada sob clima de filme de suspense, já que na semana passada ele insinuou que teria muito a revelar sobre a Câmara.
Barbiero afirmou que as lideranças do PR têm acompanhado o escândalo à distância, via imprensa, e que estão preocupados com possíveis prejuízos à imagem do partido. Por enquanto ninguém fala, entretanto, em expulsão. ''Ele nos mandou um documento, em que alega que as acusações não procedem. Até o momento, não há nada que efetivamente comprove as denúncias. Bonilha sempre foi um companheiro e nós temos que respeitá-lo nessa fase difícil'', declarou.
Bonilha era presidente do diretório municipal do antigo PL desde maio de 2003 e continuou no cargo após a fusão da sigla com o Prona, que deu origem ao PR. Em agosto do ano passado, foi um dos primeiros pré-candidatos declarados à prefeitura de Londrina. De acordo com o secretário do PR, a legenda continua firme no propósito de lançar candidatura própria ao Executivo em todos os municípios paranaenses, inclusive Londrina, mas já não tem certeza se o vereador acusado poderá participar desse processo.
''Por enquanto, achamos que tem de vir dele uma proposta de dar um tempo, se afastar da presidência. Uma pessoa que está se preocupando demasiadamente com a própria defesa não tem tempo de cuidar das necessidades do partido'', avaliou. ''Vamos até o fim com a possibilidade de ter candidato a prefeito. Se ele (Bonilha) passar por toda essa tempestade de denúncias, terá sua oportunidade dentro do partido.''
Ação penal
O ex-presidente da Câmara é réu em ação penal por concussão e formação de quadrilha, desencadeada após a prisão e as denúncias do ex-vereador Henrique Barros (sem partido) em janeiro. Junto com Barros e mais três vereadores, ele é acusado de encabeçar esquema de cobrança de propina para aprovação de projetos de lei. O processo foi instaurado na última quinta-feira (28). Ele também é alvo de mais duas denúncias de concussão protocoladas pelo Ministério Público (MP) - uma por motivo semelhante ao da ação, outra por contratar servidores sob a exigência de parte de seus salários.
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), deve receber hoje da Procuradoria Jurídica parecer sobre o relatório apresentado na semana passada pela Comissão de Ética Parlamentar (CEP), em que se recomenda a cassação de Bonilha. Souza anunciou que, com o parecer em mãos, coloca já na pauta de quinta-feira a votação sobre a abertura de uma Comissão Processante. O advogado de Bonilha, Ronaldo Neves, ainda aguarda resposta ao pedido de arquivamento do processo, baseado numa carta em que Henrique Barros ''inocenta'' seu cliente e os demais vereadores.

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