PR pode ter lavado dinheiro em Cali
James Alberti
De Curitiba
Empresários, comerciantes e advogados do Paraná têm envolvimento com o cartel de Cali (Colômbia), segundo afirmou à Folha ontem o delegado da Polícia Federal de Fortaleza (CE), Cláudio Joventino. Eles teriam ajudado o traficante colombiano Joaquim Hernando Castilla Jimenez a lavar dinheiro do tráfico de drogas, atuando como laranjas. O colombiano foi preso em 6 de outubro no Ceará, mas a prisão só foi revelada anteontem. Em seis Estados, entre eles o Paraná, Jimenez teria movimentado R$ 20 milhões por mês, revelou o delegado da PF. Três instituições bancárias também estão envolvidas com o cartel, mas Joventino não divulgou se elas são paranaenses.
A CPI do Narcotráfico já tem em mãos os nomes dos brasileiros que estariam vinculados ao cartel. Os nomes estão sendo mantidos em sigilo. Possivelmente alguns deles são paranaenses, disse Joventino. Há grande possibilidade, reafirmou o delegado, que resistia em falar no assunto. Existem nomes do Paraná com certeza, confirmou à Folha o deputado Padre Roque, integrante da CPI, que esteve ontem em Curitiba. Só não podemos divulgar os nomes.
Para o delegado da PF, a condenação do colombiano a dois anos e quatro meses de reclusão no Paraná é um indício da participação de pessoas do Estado. Jimenez teria sido preso, conforme Joventino, sob acusação de corrupção ativa. Ele teria oferecido R$ 5 milhões para que um delegado federal o livrasse de um processo.
Os laranjas brasileiros recebiam, segundo o delegado, entre 3% e 5% do valor depositado em suas contas. O traficante colombiano, que admitiu ser do cartel de Cali, disse que fazia remessas que variam entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões. Jimenez estaria fornecendo os nomes em troca da possibilidade de ser expulso do Brasil. Conforme o delegado da PF, ele entrou ilegalmente no País em 1993. Desde então recebia o dinheiro do narcotráfico e o remetia, limpo, de volta ao cartel.
Os empresários, comerciantes e advogados devem ser investigados pela comissão parlamentar, que tem o Paraná como um alvo certo. Além deles, a CPI deve investigar um deputado estadual que estaria ligado ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Responsável por 40% do tráfico no Rio de Janeiro, Beira-Mar tem braços do tráfico no Paraná. Uma das mulheres do traficante, Alda Inês dos Anjos Oliveira, que está presa, disse que um deputado paranaense teve sua campanha financiada pelo traficante carioca.





