PR pode dobrar verba para deputados
Um grupo de deputados estaduais deve apresentar nos próximos dias projeto de resolução que amplia a estrutura dos gabinetes na Assembléia Legislativa. Os deputados, que não querem se identificar, trabalham nos bastidores para evitar desgastes antecipados como foi no caso da compra dos Passat alemães para a renovação da frota. Eles aguardam o retorno do presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), que está de licença médica, previsto para a semana que vem, para colocarem a operação em prática. O objetivo principal é aumentar as verbas de gabinete, orçadas hoje em R$ 15 mil ao mês.
Os deputados não chegaram ainda a um denominador comum. Primeiro, se cogitou a possibilidade de aumentar em R$ 18 mil as verbas. O valor aumentou alguns dias depois para R$ 28 mil. E agora estaria fechando em R$ 10 mil, além dos R$ 15 mil já repassados para cada um dos 54 gabinetes instalados. A instituição de diárias fixadas em R$ 2 mil ao mês, o fim das verbas de assistência social, de R$ 3,5 mil ao mês, e a criação de novos cargos no quadro funcional, também não estão descartados. Existe uma corrente, orientada por Aníbal Khury, que está dificultando a condução do assunto. O grupo pretendia aproveitar a ausência de Khury para colocar a medida em prática.
O presidente interino da Assembléia, Nelson Justus (PTB), se recusou a assumir o ônus da medida. Para entrar em vigor, Justus teria de baixar um ato administrativo formalizando a mudança. O que não deve acontecer, conforme ficou acertado num café da manhã do grupo, na sexta-feira passada. Desde então, os deputados têm se reunido quase que diariamente. Para embasar seus argumentos, quanto ao aumento das verbas, o grupo visitou as Assembléias Legislativas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Lá as coisas são de primeiro mundo, confidenciou um dos deputados à Folha. Segundo ele, a revolta maior dos deputados está na falta de estrutura.
Os gabinetes não são informatizados. Nós temos um cálculo que diz que os nossos salários e o dos funcionários em 98 custaram cerca de R$ 25 milhões. Para onde é que foram os outros R$ 90 milhões gastos?, questionou a fonte. O deputado conta que outro motivo que também fez o grupo recuar da idéia de aumentar as verbas de gabinete na ausência de Khury foi o medo de retaliações. A primeira medida que o deputado tomaria é acabar com os carros que hoje estão nas mãos dos parlamentares. Tem deputado com sete carros na garagem, revelou. Houve uma divisão. Tem alguns que não querem embarcar nessa, sem o sinal-verde de Khury.





