PR perde o deputado Homero Oguido
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 1997
Patrícia Zanin 
Da Redação
Mário Cesar/Folha de LondrinaÚltimo adeusDespedida a Homero Oguido reuniu centenas de políticos, empresários e representantes da colônia japonesaO corpo do deputado federal Homero Oguido (PMDB), 48 anos, foi enterrado no final da tarde de ontem em clima de dor e comoção, no cemitério João XXIII, em Londrina. Ele morreu à meia-noite de domingo, vítima de um derrame cerebral fulminante.
O deputado estava em casa, na região central da cidade, quando sentiu dores na região do tórax e na nuca, por volta das 22h30. Um de seus oito irmãos, o médico Fernando Oguido, mora no mesmo prédio do deputado e foi chamado para atendê-lo. Quando acabei de medir a pressão ele caiu e perdeu os sentidos, relata. A família não teve tempo de levá-lo ao hospital. Oguido deixa a esposa, Helena, e três filhas. Por causa da morte do deputado, não houve sessão ontem na Câmara dos Deputados.
O velório foi realizado na Câmara Municipal de Londrina, que também teve a sessão suspensa. Durante todo o dia, centenas de lideranças políticas, empresariais e membros da colônia japonesa se revezaram na despedida ao deputado. Amigos e parentes prestaram as últimas homenagens através de cânticos religiosos e japoneses. Outra tradição oriental não esquecida foi o koden, que significa doação da última despedida - oferta espontânea de recursos para ajudar a custear as despesas. Segundo os descendentes de japoneses, a doação também é feita em datas festivas.
Além da presença de políticos e amigos da região, Oguido recebeu homenagens de deputados da bancada do PMDB. O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima, participou do enterro. Também estou representando o presidente da Câmara, Michel Temmer, disse o deputado. Compareceram ao enterro os deputados Eliseu Padilha (RS) e Pedro Novaes (MA).
Apesar de discreto, ele era muito eficiente, elogiou Lima, que iria convidar Oguido para compor a vice-liderança do partido na Câmara. O ofício estava pronto na minha mesa, mas não deu tempo de convidá-lo, lamentou. Além dos peemedebistas, os deputados paranaenses Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Antônio Ueno (PFL) também compareceram.
Homero Oguido fumava muito - uma média de dois maços por dia, e na sexta-feira tinha se submetido a um check up. Com o coração estava tudo bem, mas ele apresentou dificuldade no teste de esforço físico, relata Fernando Oguido. O ex-deputado Severino Félix esteve com Oguido na sexta-feira e disse que achou o colega abatido. Ele cuidava do povo, mas não preservava a si mesmo. Amigos contaram que o deputado estava sem férias há mais de quatro anos. Infelizmente ele se dedicava mais ao trabalho do que à família e ao lazer, confirma o assessor de Oguido, João Naime Neto.
No sábado, Oguido viajou com seu assessor para Prado Ferreira (61 quilômetros ao norte de Londrina), onde visitou o prefeito Aristides de Caires (PMDB) em sua fazenda. Ele reclamou de dor no peito, lembra Caires.
Além de representante da colônia japonesa, Homero Oguido era considerado uma das maiores lideranças municipalistas do Estado. Ele exercia o segundo mandato como deputado federal. Oguido também foi deputado estadual por dois mandatos e vereador na década de 70, quando iniciou sua carreira política. Ele era o único deputado federal nascido em Londrina. Homero Oguido será substituído pelo suplente Moacir Micheleto, de Assis Chateaubriand, que é ex-deputado e engenheiro agrônomo.


