PR manda 26 ônibus com mil pessoas
Patrícia Zanin
De Londrina
Mil pessoas deixaram o Paraná ontem em 26 ônibus para integrar a Marcha dos 100 Mil hoje em Brasília. A informação é do presidente regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Roberto Von Der Osten. A expectativa inicial de um dos organizadores do movimento no Estado, deputado federal Padre Roque (PT), era de garantir 100 ônibus com cerca de 2,5 mil pessoas.
Em Londrina, sindicalistas, estudantes e integrantes de movimentos populares e do MST não reclamam de passar 32 horas na estrada entre a ida e a volta, programada para amanhã. Três ônibus com 138 passageiros deixaram a cidade no início da tarde de ontem com destino à capital federal. O clima era de empolgação.
Faltou vaga. Temos lista de espera de 42 lugares, mas não teve dinheiro para bancar mais gente. Se não fosse dia útil então, ia ter ainda mais movimento, explicou o diretor do Sindicato dos Bancários, Joaquim Borges Pinto.
Na opinião do sindicalista, a revolta popular está cada vez mais frequente e, se houvesse clima, poderia haver uma revolução. Mas para isso seria preciso ter uma esquerda mais organizada e hoje ela não está preparada para comandar um processo desse. Ele disse também participa da marcha por um fator emocional. Essa molecada que está aí dentro (do ônibus) motiva a gente a continuar militando, diz o sindicalista, de 40 anos.
O presidente da União Londrinense de Estudantes Secundaristas (ULES), Adriano Lozado, 25 anos, diz que a marcha vai mostrar a força e a indignação cada vez mais presentes na vida dos brasileiros. Vamos lembrar as antigas marchas de 68 e mostrar ao governo que a população não é tão passiva como parece. Ele criticou ainda os baixos investimentos na educação do País.
O impeachment pode não ser desta vez, mas a marcha pode ser o início da derrubada de FHC, disse o vendedor autônomo Paulo Roberto Urquiza, filiado ao PT. Para ele, vale a pena perder dois dias de trabalho para engrossar o protesto nacional. É um esforço para acordar o povo brasileiro.
Urquiza vende assinaturas de revista e disse que seu movimento caiu pela metade desde o ano passado. Ninguém tem dinheiro para nada, revela o autônomo, que disse receber mensalmente R$ 600,00, contra R$ 1,2 mil que ganhava há um ano. Não saio, não tenho lazer, uso uma moto velha e só estou viajando para Brasília porque o ônibus é pago, contou.
Apesar de não saber os reais motivos da marcha, Robson Gomes, um dos motoristas que transportou um grupo de 46 londrinenses, acha o protesto justo. Eles estão certos. O outro motorista do ônibus, José dos Santos Martins, não perdeu a oportunidade de criticar a condição das estradas: dá nota 5. Para Gomes, é 7. Eles serão obrigados a rodar 2.400 quilômetros de Londrina a Brasília (ida e volta). (Colaborou Luciana Pombo)





