Curitiba - Ex-presos políticos que ficaram encarcerados em prédios do governo do Paraná entre setembro de 1961 a agosto de 1979, durante o período do regime militar, foram indenizados pelo Estado ontem em uma cerimônia realizada no Palácio das Araucárias. Foram entregues 45 cheques com valores entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, dependendo das sequelas físicas, sociais e psicológicas decorrentes do período em que ficaram presos. Ao todo foram pagos R$ 893 mil. A avaliação individual de cada caso foi feita pela Comissão Especial de Indenização de Ex-Presos Políticos, presidida pelo Ouvidor Geral do estado, Luis Carlos Delazari, que considerou a indenização ''quase como um pedido de desculpas do Estado''.
A comissão analisou 84 requerimentos de indenização durante 2008, destes 39 foram indeferidos por não haver comprovação de que seus requerentes foram encarcerados em prédios do Estado e que isso lhes teria causado sequelas. Esta é a quarta vez que o estado promove indenizações desta natureza, em 2005 foram pagos R$ 1,42 milhão a 92 pessoas e durante o governo de Jaime Lerner foram indenizados outros 242 presos políticos em duas ocasiões.
Para o aposentado Celestino Jacinto Gomes, de 82 anos, o pagamento de R$ 30 mil que recebeu ontem é ''apenas uma reparação, porque não existe dinheiro que pague''. Ele foi preso duas vezes, em 1972 e 1975 por pertencer ao Partido Comunista do Brasil. Na época da primeira prisão tinha 40 anos e foi levado para a cadeia pública de Londrina, ele conta que não chegou a ser torturado fisicamente, mas as sequelas ficaram na família e na sua situação profissional e econômica. ''Tinha uma lanchonete, uma casa, perdi tudo'', lembra.
O médico Gerson Zafalon Martins, integrante da Comissão Especial de Indenização de Ex-Presos Políticos, também foi indenizado na ocasião. Ele conta que tinha 26 anos quando foi preso pelo regime militar, como dirigente estudantil e foi condenado a um ano de prisão. ''Fui recorrer e o juiz aumentou a pena para um ano e meio'', recorda. Parte da pena ele cumpriu no presídio do Ahú, em Curitiba e o restante trabalhando no Hospital da Polícia Militar.

mockup