O Paraná foi um dos três Estados que proporcionalmente menos receberam transferências de recursos do governo federal no ano passado. De acordo com números do Portal da Transparência, ao todo os entes governamentais paranaenses - governo estadual e municípios - receberam em 2011 quase R$ 10,3 bilhões (R$ 3,7 bi para o governo do Estado e pouco menos de R$ 6,6 bi para os 399 municípios paranaenses) do total de R$ 237,2 bilhões destinados aos Estados, Distrito Federal e municípios. O valor representa que foram repassados R$ 985,39 por habitante do Paraná, levando em conta a população aferida pelo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
É uma quantia mais de quatro vezes menor do que a recebida por Roraima, proporcionalmente o Estado que mais recebeu repasses federais em 2011, R$ 4.502,68 por habitante. Apenas Santa Catarina (transferência de R$ 937,38 por habitante) e São Paulo (R$ 642,53) tiveram proporção menor do que a paranaense.
Entre os dez Estados que proporcionalmente receberam menos recursos federais em 2011, seis estão localizados nas regiões Sul e Sudeste, que possuem os melhores indicadores sociais do País: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. E, entre os dez que receberam mais transferências de recursos por habitante, nove são do Norte ou Nordeste, as grandes regiões mais carentes do Brasil: Roraima, Acre, Amapá, Tocantins, Sergipe, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte e Rondônia.
Demian Castro, professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta que já há tempos existe uma tendência de Estados que relativamente têm melhores indicadores de finanças públicas e sociais receberem proporcionalmente menos repasses federais. ''Quanto maior o peso das finanças próprias, os Estados se tornam mais autossuficientes para resolver seus problemas. Mas sabemos que há uma questão política e o Paraná, ao longo do tempo, não se articulou tanto politicamente em nome das suas demandas quanto Estados que são cronicamente dependentes de recursos federais'', diz o economista.
Castro faz duas considerações: o fato de o Paraná passar a ter ministros de primeiro escalão, como Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, pode mudar essa situação nos próximos anos; e os dados de transferências de recursos presentes no Portal da Transparência do governo federal não contabilizam outros tipos de repasses federais, como aqueles realizados por empresas estatais. ''Esses dados têm que ser analisados com cuidado, portanto'', justifica.

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